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] A obra de Alice Munro apresenta um “parentesco”, também, com a de uma escritora injustamente esquecida, que nos deixou vários livros excelentes de narrativas mais curtas, Katharine Anne Porter, e com a parte contística da produção de Doris Lessing. [2] “Sabitha era agora uma pessoa reservada, bonita e, notável, incrivelmente magra. Usou um chapéu preto sofisticado e não falou com ninguém, a não ser que lhe dirigissem a palavra antes (...) Na igreja Edith tomara a precaução de não falar com Sabitha primeiro; logo, Sabitha não poderia falar com ela.” [3] Urtigas é outra prova cabal do modo magistral com que Munro constrói seus textos, sempre partindo de informações fragmentárias, “soltas”, e de tempos alternados, para depois chegar ao âmago da anedota. Por essa razão, um dos aspectos mais interessantes desse conto é a parte da infância, em que a narradora seleciona elementos nostálgicos bem flanneryanos, como uma brincadeira de crianças que se revela um jogo de guerra bastante sexualizado, e muito ligado à morte, a baixas humanas, além da descrição da atividade econômica familiar, com seu elemento de brutalidade pragmática: “Eu tinha mais familiaridade com sangue e matança de animais do que Mike. Levei-o para ver a mancha num canto do pasto, próximo ao portão do curral anexo ao celeiro, onde meu pai sacrificava e cortava os cavalos com os quais alimentava as raposas e martas. O chão era liso de tão pisoteado e parecia tingido de cor de sangue, um vermelho-ferrugem escuro. Então eu o levei para o açougue no celeiro, onde as carcaças dos cavalos ficavam dependuradas antes de serem moídas para virar ração. O açougue era apenas um barracão com paredes de tela, que ficavam cobertas de moscas, enlouquecidas com o cheiro de carne apodrecendo. A gente pegava as leves telhas de madeira e esmagava um monte delas.” O Canadá apresentado por Munro é um palimpsesto de tempos, onde o rústico, o rural, o ermo convive com o urbano, o s choques contraculturais, os modismos. [4] Que o tradutor preferiu deixar no original, já que é a alusão à canção folclórica em que o urso vai para atrás da montanha para saber o que havia lá...e lá havia o outro lado da montanha. 
Escrito por Rosa Kapila às 17h26
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Escrito por Rosa Kapila às 18h15
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caminhão com pessoas e malas
Escrito por Rosa Kapila às 18h04
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Escrito por Rosa Kapila às 18h03
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