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diário de ROSA KAPILA




Escrito por Rosa Kapila às 15h22
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Escrito por Rosa Kapila às 15h18
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Escrito por Rosa Kapila às 15h16
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VIRGINIA 18
Querida Claricinha,
Estou te enviando esse texto ainda “cru” . Vou publicá-lo numa revista, mas preciso
que alguém o leia para me dar novas ideias e, também para que eu possa cortar
outras. Queria que você visse as analogias, as hipérboles, outras figuras de linguagem,
as conexões, enfim, gostaria que você fizesse uma leitura olhística e me desse um
parecer.
LEMBRANÇAS BÁRBARAS
Aqui há uma escada que subo e vejo o jardim de forma vertical.
Não sou mais múmia
Os acidentes geográficos não mais me interessam
Pego na parede para vibrar minha mão palmada.
Luzes e abismos combinam.
Eu sou a flauta de Pessoa que delira.
Esqueci minha calça de bolitas
Beijo um santo cansado de conventos
O cheiro das rosas deixa meu nariz a dançar.
Meus desvios são nadas
Dei um golpe no que sonhei com uma faca de serra
Quero que o declive dure como ânsia de infância.
Querida, me desculpe mas a dor é minha.
Aquele amor não se explica.
A manhã foi rápida e à noite, correu.
Tenho cansaço no cérebro, mãos, e pernas quando te escrevo.
Não me interessa salvar um sonho sujo...distante... mísero.
Nunca sei nada sobre o contentamento do mar e os restos esfriados
/das sobras de nossos almoços.
A brisa que passa dá um tapa em meu rosto.
A Geografia me engana com esse frio ardido de serra e floresta.
Meu vago amor dorme à distância.
Lembro de uma amiga que queria cobrir o corpo de seu amado com jasmim.
Tive umas trezentas luas de loucura.
Meus remédios me olham por um lapso e são amigos para espantarem
/meu tédio matinal.
Lembro de tua calça vincada e do copo de água, adormecido.
Meus versos são louros escuros.
Trago gomos de tangerina para nosso embarque.
Chove
No primeiro dia presente de 2011.
Aliso e cheiro as cortinas, carrego-as para um canto, é um
/encantamento infantil que surge.

Os pinheiros banhados têm medo do alto vento
Mas os jasmins entontecem de tanto cheiro.
Eu durmo aqui, no confuso mundo.
Peço ao vento que leve para ele meu murmúrio.
Rezei na sombra
Rezei na chuva
As rezas formavam albergues para o vento não os arrancar.
Não salvei os sonhos da noite. Foram todos deletados
/entre a sombra e a luz do quarto.
Eu ondeio
Tu ondeias
A nuvem baixa ondeia entre os pinheiros da floresta.
A caverna funda de Platão abriga os que se buscavam
E a raiva do alvoroço, passou.
Conheci ontem pessoas lindas, mas elas se guardam dentro de si.
Vi uma jovem-garça rica de contornos macios. Ela falou de alma, de
/passados amargos, de lembranças sonolentas, de casas por fabricar.
No trevo de Itaipava o vento alongou meus cabelos
/e eu me escutava dizendo: não durma!
A mãe da jovem-garça não repousava: “gostaria de morar nos montes
/Apeninos, aqui é tudo tão insone e triste!”.
A mulher dialogava em ilusão perfeita. A mãe da garça xingava
/o orvalho e as folhagens.
Pego no sono sem querer e Sil também. Sonhamos o mesmo
/sonho. Vemos juntas Jacó velhinho com cem anos e quando
/acordamos, Sil teve uma grande revelação.
Eu não esperava mesmo nenhuma novidade.
Talvez um dia eu compre uma ilha no fim do mundo.
Oh luar! Faça-se.
Nos despedimos da menina-garça com muitos beijos
/ela nos fez um pedido: “comprem uns dez quilos de
/sossego pra mim!”
Te mando o sossego pelo correio – gritei! E mais umas coisas
/lindas que nunca existirão.
Sou fiel ao meu regresso para coisa nenhuma.
Tudo é um vaivém na ramagem de meu cérebro.
Carrego algumas coisas pela metade; outras, inteiras.
Aquele amor distante, deveria está perto de mim.
Foi bom ser criança para hoje em dia costurar
/minhas lembranças.
Vamos dormir.

Durmamos antes do mar, antes da chuva tempestuosa
/e do sol lá em seu posto, sempre à espera, sem reclamar.
Eu sou viúva de homem que não morreu.
E uma ave de abismo demorou a me contar a verdade.
Sil, tão calma, lambe a chuva, não há mistério que a perturbe.
Saio, perneta, do carro e vejo confusões na estrada.
Meu filho tem uma graça harmônica para meu desjejum.
Clareia em mim as névoas e vejo vários monges de
/pedras na paisagem.
O livro aberto está morto e o marcador de tecido
/vermelho me lembra muito sangue.
Fecho o livro como se fosse normal ser dona de livro morto.
Tenho a intuição que um menino vai me pedir dinheiro
/digo a ele que fume seu cigarro sem lume.
Na estrada percebemos melhor as desditas e nosso ritmo
/no espaço do chão.
Qualquer memória nesta hora me faz bem
/fui uma infanta estradeira mas tenho tino para seguir os falsos.
Um dia eu vencerei caminhos,muros,igrejas,serragem,neblina.
Retoco a maquiagem num espelho que é um sapo.
Acasos me chamam e corações desumanos.
Eu queria falar um Português medieval e emergir de um lago
/metade mulher metade bicho; que nem Angelina Jolie
/em Beowlf; toda banhada de ouro.
Eu mesma enfio uma estaca em meu coração: de ciúme, de vingança
/e amor frustrado.
Já larguei o leme há muito tempo e sou a última das moicanas.
Agora é só eu e Deus.
Eu sei: tudo que sobra é a vida.
Se um dia vens, venha todo esguio e belo deitar
/em milhões de pétalas de rosa.
Estou cansada de tanto lodo; agora quero terra.
Antigamente tu eras bem antigo e lindo.
Lambi a grade enferrujada do portão te esperando dia e noite.
Faço papéis tintados.
Quem roubou meus remédios novos?
É aí que periga meu ouvido,lombar e boca falante.
Eu tinha a fantasia de sempre brincar com o sabor eclético
\ das “bolinhas”.
Siga-me fantasia:
- todo doido toma muitas bolinhas

Primeiro sobe um fogo,depois vem a queda suprema.
Eu não estou errada
Eu sou uma rosa perfeita.
Não conheço ainda aquele que levarei para o túmulo em amor.
Ah! Deixem-me sonhar sem esperas
Em vão fui atrás de rastros antigos.
Sou infiel a meu destino de solteira.
Uns limões salgados me fariam dormir
Mas a minha vida é um palco cheio de confusões.
Minha alma disfarça e que sigam todos os forasteiros
\que conheci.
Posso imaginar meus amores espalhados pela Terra
\e todos de uma maneira bem peculiar de estarem sozinhos.
O cheiro de jasmim que Sil colocou em cima da mesa que
\que escrevo, me embriaga
É cheiro demais para tão poucos narizes.
Essa maneira de estar sozinha com as flores me deixa feliz.
O que me mete medo são as tardes trovoadas
As cores dos relâmpagos me ameaçam.
Não quero pensar em razões,em saúde e água purificada.
Prefiro ficar verde de medo.
Estou zangada pelos artifícios que a vida me prega.
Meu íntimo pediu tanto para que eu fosse apenas
\uma mulherzinha boa.
Um raio quase me pegou mas eu fugi para o sol.
Ainda lembro da moça-garça limpando o nariz
\e fugindo para o réveillon com roupas em cabides.
A beleza da jovem faz dela uma divindade sorrindo.
Ela parece muito humana no cotidiano e quer ter vida de poeta.
Há mistérios no mundo porque ela me contou os seus segredos.
Com um cigarro na mão e um vestido na outra
\deu-nos idéias para trocarmos de montes e vales.
Todos sorrimos e ela desceu a pé pela casa caiada de coral
\tão leve ela saltitava pela ladeira como uma pastora de Virgílio.
Eu queria ter uma vida com certas companheiras da natureza
\como certas personagens de contos de fadas
Eu queria ser “Mindinha” e uma das filhas de Bernarda Alba;
\somente para matá-la com vidro moído na sopa.
Confusa, perturbada...percebo que não me enxergam na rua.
Sou a pequena passante de Charles Beaudelaire.
O que será melhor: ver ou ser visto?

Se fosse para me completar eu passaria os dias pensando em ti.
Chegam-me pensamentos de adivinhos,jogadores de cartas e loterias.
Corro com meus pensamentos...é bem melhor pensar nos gatos que
\eu tive e nos cachorros que criei.
Já passei noites sem dormir pensando nos “antigamentes”
Petrópolis, 1 de janeiro de 2011
Casa da serra da Sil.



Escrito por Rosa Kapila às 18h14
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Querida  Clarice,
 
quando acabei de ler a carta que vc. escreveu a seu pai fiquei sem fôlego.
talvez  os diversos  asuntos que vc.aborda desse para um livro  sozinho. vc.
faz uma radiografia de  seus 5 anos. impressiona-me uma criança manter
vivas tantas  lembranças. vc. oferece com coragem ao leitor as distrações
de uma criança. sem dúvida que seu pai é muito generoso. às vezes as 
lembranças teríveis são exercícios menores da memória. vc. manifesta  um
exercício que despertam muitas curiosidades e mostra um ato de criação
por excelência. vc. foi tecendo fio a fio  o que hoje é a realização de  seus
textos. até que vc. nem era tão sapeca assim. uma coisa que observei é que
a mãe sempre socorre  o filho  das mãos do   pai. nesse  texto sua mãe não
existe ou é uma  observadora omissa. vc. fala de professoras, odeia umas 
ama  outras. os melhores momentos do texto são os que se relacionam 
a vc. bem pequena. o fato de ter xingado merda é muito interessante, a  
procura da chupeta, o desenho do burrinho. vc, criança concentrou forças
para quere mudar de turma e mais uma vez sua mãe  bancou a madrasta.
não quis trabalhar por um desejo tão forte na infância. ela voltou a face 
contra seu desejo, não preservou tua alma do perigo. vc. era uma Daniel na
cova dos leões. teu  pai foi aquele que ainda, te protegeu muito. vc. foi uma
flor no verdor  do pai.
Eu estou ainda aqui na casa de minha avó que fica nos arredores de
Londres. Minha vó é uma linda princesa de 70  anos, contempla as lindas
flores que ela mesma planta. meu coração tem nova vida quando eu chego
aqui. a casa  de  vó Emily  fica  no centro de um terreno imenso...tem flores
e árvores por todos os  lados. um poquinho  longe da casa imensa tem uma
casa  menor, onde ficam o casal  de jardineiros. minha vó ainda dirige e 
todo dia vai ao centro de Londres resolver  negócios, pagar contas. a  cada
vez que ela  sai vai com um chapéu diferente, ela deve ter uns 150 chapeus 
ela não gosta de repetir, cada dia  põe um diferente e assim ela vai fazendo
uma fila... cada um usado vai lá para o fim da fila. ela é muito culta e dá 
aulas de artes. tem muitos alunos particulares. ela nem precisaria pois o
esposo dela  morreu  na guerra e ela ficou  com uma pensão de  dar inveja a
qualquer professor brasileiro. ela canta com os passarinhos e contempla as
lindas rosas. ela me diz sempre  "eu jamais seria aluna da tristeza". quando
ela levanta o rosto eu penso comigo "é uma soberana dos céus". eu acho
toda uma fortuna de paz aqui, nesta  casa. tudo pra ela é uma pintura. "me
alegra olhar assim, o céu pintado" ela me disse que uma vez passou por
um horrível furacão, mas mesmo assim não faltou amor para olhar o céu
ardentemente. ela se alegra com tudo:  mansão  cheia de flores e frutos,
uma ameixeira florida, uns utensílios que o jardineiro artesão adorna
cinzelando, um cisne que corre para a água, um pássaro enorme que canta
a seus pés. ela não espera pelo fim da vida. ela aproveita bem o que lhe

sobrou da mocidade. ainda vou lhe escrever  muito falando de vovó. estou 
passando a cantada nela para ler os diários que ela  guarda a sete chaves. eu
a bajulo: amor, acreditai em mim. ela ri. mas quando eu achar os diários te
dou uma dica.
beijão cheiroso  de jasmim
rosa maria rilke
 
 
 
a Maria dos Santos Kapila
 

www.rosakapila.zip.net
www.vozesderosakapila.blogspot.com
[21]9105-5698 Claro



Escrito por Rosa Kapila às 18h13
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VEJO A LUA ACENDENDO FOGO NO CÉU COM SUAS LÁGRIMAS

Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo ( Fernando Pessoa )

Para meu querido amigo Julio Emílio Braz

 

Sei que está ficando tarde

O motorista da van vai a toda na rodovia

Talvez ele ache a vida um tédio

Sou apenas uma moça cosmopolita perambulando pelo mundo

Não pareço disposta a tudo.

Nem por amor suportaria arranhões em minhas costas.

Eu beijo fácil e digo adeus.

Essas luzes trazem minhas vidas passadas às ruas.

Espanto a chuva com minhas galochas de gato de botas.

Chego molhada em casa e vejo aquele meliante encostado

No poste da esquina com sua curica de lado.

Deixei meu mau humor ali, na soleira do portão.

Agora vou encarar a noite inteira

Os sinos virtuais tocam para quase ninguém.

Adoraria encontrar alguém que desse para mim, sua noite inteira.

E a noite inteira fico acordada;tem dias.

A noite inteira guardo meu ciúme e observações venenosas.

Shakespeare me salva em algumas noites.

Quero ficar longe do dragão de fogo que às vezes explode em mim.

Telefone, se você tocar diga que não estou e que nunca

Me viu mais gorda.

Mordo uma maçã vermelha em seu dulçor.

Venha paz: fortuna dessa vida.

Alma penando do teu padecer e de tuas ossadas em pó

Ninguém deve sorrir.

Esquecidos de mim, os musos me deixaram.

Alguns ventos cruéis ajudaram em minha perdição.

Teu corpo vivo ou morto eu quero: uma rocha

Sou uma efêmera flor numa ampola fumosa.

Queria ouvir tambores somente para dançar.

Estou curtindo uma pena danada de mim.

Mais uma longa noite poética me espera.

O silêncio da poesia francesa me comove...

Por que nesse momento a poesia foi embora?

Vejo a lua acendendo fogo no céu com suas lágrimas.

 



Escrito por Rosa Kapila às 18h13
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RALANDO A LÍNGUA

“Os poetas místicos são filósofos doentes,

E os filósofos são homens doidos”

(Fernando Pessoa. In: Ficções do interlúdio )

Para meu irmão Raimundo

Venceslau dos Santos

O que sabem as flores e as árvores a meu respeito?

Gritei: valei-me Santa Bárbara na hora do

aguaceiro.

Sonhei com um vago mistério, depois de ter visto o filme

“Amor

À morte, de Allan Resnais. O filme quase me

enlouquece.

Quem me dera morar naquela aldeia!

Queridos leitores, nada do que digo e escrevo, eu

vivo.

Um garoto na rua me disse: “em vez de chorar

minha mãe,

A polícia chora as deles primeiro”. Foi a mais

estranha de todas as estranhezas

Que ouvi um dia.

Olhando para seis relógios passei a noite

toda.

Pulo do pensamento para as palavras.

Meu vizinho colocou uma placa de natal em sua porta



Escrito por Rosa Kapila às 18h12
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MORANDO NO VAGO

"Suave é viver só"

(Fernando Pessoa – In: Ficções do Interlúdio)

Para meu amado Rubens Eduardo Ferreira Frias

me consolo ao pensar em tua face serena

tenho memória em minhas mãos em asas

tudo é pensamento nos relâmpagos volúteis

assim faço minha vida: uma flor cortada ao meio

nasceu nascido o calo na voz

consulto a barata que samba no consultório

se aguentarei uma anestesia na língua

caros leitores, não se preocupem

aguentei a anestesia e vomitei por quinze bêbados

por quatro dias minha língua tinha gosto de isopor

e gorda como uma pomba.

somos apenas um cisco, diz Edna

acho que sou uma poeira que moro no Vago

enquanto tiver os brilhos do sol, parecerei grande.

nada me atinge

até o amor é apenas uma sombra.

eu queria mesmo ter uma boca vermelha de vinho

para ir ao rio das coisas.

sigo

minha antiga vida.



Escrito por Rosa Kapila às 18h11
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Segue abaixo a premiação que recebi do site Uol. Agradeço a meus leitores a credibilidade em meu trabalho. Beijos, beijos.



Escrito por Rosa Kapila às 18h00
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24/11/2010 14:4

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Escrito por Rosa Kapila às 17h56
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Escrito por Rosa Kapila às 17h54
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Escrito por Rosa Kapila às 17h12
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Escrito por Rosa Kapila às 17h04
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