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diário de ROSA KAPILA


Foto: Ipês  Ipê amarelo ipê rosa, ipê roxo ipê branco, de toda cor efêmeros, como o sorriso de Maria     que enche d'água todo dia o velho e furado cocho.  quisera que as viçosas flores pregassem no rosto dela, as brancas, rosas, roxas e amarelas transformassem em riso esse muxoxo e lavassem a tristeza e a mágoa mesmo que com a barrenta água do velho e furado cocho...  Paulo Aquino



Escrito por Rosa Kapila às 17h08
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Escrito por Rosa Kapila às 16h09
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ABAIXO LIVROS DE MINHA AUTORIA E GERAÇÃO DE 1970 NO PIAUÍ,COMPILADO POR   AIRTON  SAMPAIO



Escrito por Rosa Kapila às 15h02
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Escrito por Rosa Kapila às 14h59
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Escrito por Rosa Kapila às 16h47
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O MELHOR DO NADA SOBRE TUDO (ROMANCE DE ROSA KAPILA – PARTE 4)

A CIGANA, TACIANA E SUA VIAGEM À TUNÍSIA

                   (TACIANA E O MAU-OLHADO)

Taciana está no Texas fumando um cigarro e esperando um homem. Quis o destino que aparecesse uma cigana. Esta ficou reberando nossa heroína. “Que queres cigana dos infernos?”

“Te dizer que só ganharás muito dinheiro se tirares o mau-olhado e só na Tunísia isto poderá ser feito.”

Taciana valoriza todas as superstições e  mistifica tudo. A explicação dos sábios é que não se deve temê-lo, porém se deve tentar evitar certas atitudes que podem despertar a inveja.  Não há razão para fazer disto uma preocupação obsessiva.

O “mau-olhado” é um conceito que existe em praticamente todas as culturas, não sendo portanto, exclusivamente do conjunto de superstições judaicas, nem da Tunísia. Os sefaraditas do Oriente Médio costumam usar uma antiga expressão árabe Mashallah que significa: “Que D´us o livre do mau-olhado” quando saúdam uma criança ou um jovem. Na Turquia, por exemplo, os pais não costumam mostrar um recém-nascido a outras pessoas até que este complete 40 dias, pois a sua beleza poderia despertar inveja.

D-us, ou D'us, é uma das formas utilizadas por alguns judeus de língua portuguesa para se referirem a Deus sem citar seu nome completo, em respeito ao terceiro mandamento recebido por Moisés, através do qual Deus teria ordenado que seu nome não fosse falado em vão.

 Os italianos  chamam o mau-olhado de mal occhio e, em várias cidades do sul da Itália, é comum a presença de “especialistas”, quase sempre mulheres, que supostamente o “afastam” com um ritual feito com azeite de oliva. Outras culturas possuem superstições similares. O certo é que Taciana voou para o aeroporto e comprou uma passagem  pra Tunísia.

O  mau-olhado aparece na Torá e no Talmud, estando presente em inúmeros comentários, apesar de se considerar de modo geral a superstição como sendo uma violação dos valores da Torá.

Na Torá quando Jacob mandou seus filhos para o Egito para trazer algumas provisões (Gênesis, 42), instruiu-os a entrar na cidade por portões diferentes. Por quê ? Se todos os irmãos, que eram  belos e fortes, entrassem juntos por um mesmo portão, poderiam provocar nas pessoas que os vissem sentimentos de inveja, “provocariam “o ayin hará”. José também é imune ao ayin hará, pois foi abençoado por Jacob (Gênesis, 49:22) para estar acima do mau-olhado, assim como seus filhos Efraim e Menasseh (Gênesis, 48:16). Chegando na Tunísia, Taciana procurou os   sefaraditas,  eles costumam usar um amuleto em forma de mão como “proteção” contra o mau-olhado. A chamsa -mão-, em árabe, ou chamesh, o número cinco em hebraico (representando os cinco dedos da mão),– é um amuleto antigo e popular contra o mau-olhado, assim como os fitilhos vermelhos e azuis que muitas mães amarram na roupinha de baixo dos bebês ou de seus berços. Taciana comeu um  peixe com arroz e brocólis segundo o Talmud, o peixe é um outro símbolo que também representa proteção contra o mau-olhado. Como os peixes vivem dentro d´água, não estão na mira de olhares mal-intencionados. Nossa jovem comprou uns livros e quis saber também sobre a Turquia, Grécia e Tunísia. Quis estudar também o Oriente Médio, porque lá usa-se um colar com um olho azul, que “age” como um espelho, refletindo e “confundindo” o “mau-olhado”. “Se aquela cigana mentiu eu vou ao inferno atrás dela e buscar meu tempo de volta. ”Sou uma prostituta e preciso ganhar muito ouro, dentes de elefantes de marfim, pérolas, rubis, jade.”

Nossa heroína é aflita e quer tudo muito rápido. Mau-olhado  não é mera superstição.”Vou  a um trecho aqui de um dos livros que parece bem interessante:”

“Em 1705, o Tribunal Rabínico da Tunísia foi presidido pelo Grande Rabino Simah Sarfati. Filho de Marrocos  (apesar de o nome Sarfati indicar origem francesa), Rabi Simah, de repente, adoeceu  tendo sido diagnosticado como portador de uma doença incurável. Uma noite, Eliahu Hanavi, que segundo a tradição judaica assiste a todos os nascimentos, apareceu em sonho diante de Rabi Simah e lhe receitou um remédio: a cada nascimento de um menino, ele deveria organizar uma noite de estudos do Zohar (O Livro do Esplendor), no sétimo dia, véspera da Brit Milá. Essa noite de estudos acabou sendo conhecida como Billada (em latino, castelhano ou português antigo: velleda, velada) e perpetuou-se no judaísmo tunisiano até os dias de hoje. Rabi Sarfati curou-se e foi para Jerusalém, através de Istambul. Faleceu em 1717 e foi enterrado no Monte das Oliveiras.”

“Acho que tudo isso é besteira, é melhor eu sair por aí e fazer minhas caçadas, por que acreditar numa cigana? E que  pessoa ou pessoas tem mau-olhado em mim? Se eu fosse mais bonita seria miss universo e não uma puta.”

 

Taciana começou a andar e viu uma festa só de meninos.Essa  celebração, conhecida apenas pelos tunisianos, acontece na quinta-feira.

 Os meninos da casa são tratados como reis por um dia. Uma mesa em miniatura é posta para eles, com pratos, copos e talheres em miniatura. É preparado um banquete para cada menino da casa, assim como mini doces e bolos, o que contribui para criar uma atmosfera sem igual. Há muitas teorias para a origem dessa festa e a mais segura seria a seguinte: aconteceu num passado distante uma séria epidemia de difecteria que assolou a Tunísia, deixando um saldo enorme de vítimas entre as crianças do sexo masculino. Como por milagre, essa epidemia parou na semana em que se lê a parashá de Yitró. Daí a celebração. Na terceira noite após a circuncisão, os parentes e amigos da família vão à casa do recém-nascido, sem serem formalmente convidados, para uma celebração especial. A origem desse costume vem do patriarca Abraão, que no anoitecer do terceiro dia depois de ter sido circuncidado (com a idade de 99 anos), é visitado por D´us. Costuma-se dizer que o terceiro dia após a circuncisão é o momento mais difícil para a criança. E, por isso, quando o sol se põe nesse dia, o menino é considerado fora de perigo, o que enseja a celebração de El Telet Laila. São oferecidos belos pratos aos convidados, enquanto ouve-se música judeu-árabe numa atmosfera bem descontraída.Taciana estava parada olhando e um moço disse “entre moça bonita”.

 Taciana se lembrou de    duas mulheres de destaque na Bíblia, Esther e Judith . A sociedade judaica da Tunísia, ainda que bastante patriarcal, também honra  meninas. Mesmo não tendo a importância da festa dos meninos, a data sempre foi comemorada em todas as famílias, com uma bela mesa preparada com muitos alimentos.

Após a festa dos meninos um rapaz se aproximou de Taciana e a convidou para que  ela dormisse em seu castelo. Teria vários empregados para lhes trocar as roupas e trazer-lhes iguarias à boca. Taciana aceitou e entrou num tílburi com o jovem. No meio da noite Taciana estava numa cama de dossel e várias empregadas faziam massagens em seu corpo enquanto o jovem observava tudo sentado num sofá do tamanho de quatro camas brasileiras.Taciana ficou quatro dias como uma rainha, o   moço colocava comida em sua boca e ela pulava na piscina.

Ainda no quarto dia apareceram três mulheres com cestos cheios de mantimentos. Olharam para seu  senhor e perguntaram quem é aquela?

“Uma amiga”.

A mais arrogante falou “amiga de meu esposo (aliás de nós três) arrume suas coisas e vá embora agora.”

O senhor foi lá dentro e trouxe um potinho de ouro e dinheiro para Taciana. “Acabou senhora minha. Vá para o Egito, lá seu mau-olhado acaba de vez.”

Nossa heroína muda estava, muda ficou, muda partiu.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O Nove de Av representa um dia de luto extremo, para todos os judeus. Justamente nesse dia, o primeiro e também o segundo Templo de Jerusalém foram destruídos; em 586 a.E.C. e 70 desta era; os judeus foram expulsos da Inglaterra, em 1205; e, em 1492, da Espanha. Os rabinos promulgaram, há muito tempo atrás, um dia completo de jejum e também a interdição de comer carne na semana que precede esse dia. Em 9 de Av, os judeus tunisianos têm por costume não tomar banho de mar ou de piscina. Um fato interessante: conta-se que em 1492, Cristóvão Colombo, que muitos consideram judeu, deveria partir para sua lendária viagem no dia 9 de Av, mas recusou-se, só partindo na caída da noite, que já era 10 de Av. O costume de jejuar, que era muito observado antigamente, foi-se perdendo durante o período colonial, mas hoje é levado muito a sério, terminando, geralmente, com uma deliciosa refeição com lentilhas.

Costumes da Henna

O costume de colocar henna nas mãos da noiva era praticado geralmente três dias antes de um casamento. A palavra “Henna” teria como simbologia as iniciais de três preceitos primordiais em um lar judeu, “Chalá, Nidá, Adlakat Nerot”. Durante os três dias que precediam o casamento, mães, avós e tias ensinavam à futura noiva as regras de como fazer o pão trançado de Shabat, a quantidade de massa a separar para queimar antes de assar as Chalot, relembrando o dízimo de cada fornada que era consagrado aos Cohanim). Depois, as leis da Nidá, ou seja, da pureza familiar. Finalmente, a Adlakat Nerot, ou o acender das velas no Shabat e nas festas. Além do mais, a colocação do pó vermelho nos pés da noiva visava afastar o mau-olhado. O principal objetivo da celebração da festa da henna era a homenagem à noiva, oferecendo-lhe saúde e riqueza enquanto se preparava para deixar a casa dos pais e começar uma vida nova ao lado do marido. (V. Morashá n: 18: “Os mistérios da henna”).

 

  

 



Escrito por Rosa Kapila às 16h40
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Foto           MEU FILHO ÍCARO PLANCHÊZ



Escrito por Rosa Kapila às 11h21
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Foto



Escrito por Rosa Kapila às 11h19
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Escrito por Rosa Kapila às 14h21
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Escrito por Rosa Kapila às 14h20
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ABAIXO: ROMANCE POLICIAL DE ROSA KAPILA (1993)

TÍTULO: O ASSASSINO SAI DE MADRUGADA

EDITORA CHINAGLIA



Escrito por Rosa Kapila às 14h15
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Escrito por Rosa Kapila às 14h09
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Escrito por Rosa Kapila às 14h08
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"UMA XÍCARA DE SANGUE"  - O  MELHOR DO NADA SOBRE TUDO - ROMANCE DE ROSA KAPILA (PARTE 3)

"Gosto de viver. Algumas vezes me sinto muito, desesperadamente, loucamente miserável, atormentada pela aflição, mas mesmo diante disso tudo eu compreendo que estar viva é uma coisa grandiosa."(Agatha Christie)

Para meu querido amigo escritor e teatrólogo Blanchot

Eu dei um grito de carência

mesmo assim vi um filme violento e saí andando por aí.

quero me abandonar dormindo nesta noite.

Vigio Agatha Christie enquanto ela mata as pessoas e os empilha

/em pedacinhos.

Depois do ritual da morte eu e a dama do crime bebemos várias

xícaras de sangue com biscoitos.

Ríamos.

Ela dizia: "tragam mais duas duplas de xícaras! - tim tim! O sangue move

/o mundo! Um brinde a tudo aquilo que é vermelho!

Scotch!

Scotch é meu cachorro. - venha tomar sangue conosco!"

As luzes da casa de Agatha brilham demais.

- Os venenos são escondidos aonde? - Pergunto.

Ela solta uma gargalhada.

- Só sei querida que todo dia a gente precisa morrer um pouco. Olha

/que avião bonito vai passando...

O avião me acordou.

Sou uma rosa de pobre coração cansado.

Quero ser bem sucedida dentro de mim mesma,

/na escuridão uivante.

Sempre tive olho de águia para qualquer coisa que

/estivesse fora do lugar. O ruge de Agatha Christie descia

/como um riacho em seu rosto empoado.

Fazia muito calor.

Enfim, eu e a dama do crime tínhamos um relacionamento

/profissionalizado.

Viva o vermelho assassino!

Ainda tive tempo de fazer a seguinte pergunta:

- Agatha, como você passa seus dias nas horas de lazer?

- "Matando gente!"

A rainha sabia como se divertir.

Estou quase num beco sem saída porque

/abandonei uns vícios.

Estou no osso com aquele amor.

E se eu o visse hoje lhes daria uns tapas.

Quando você não aguentar mais e me telefonar

/vou acender um cigarro e ler um anúncio de utilidade

/pública com minha letra baixinha.

Me procure que eu te mando desamarrar um cachorro

/num carro estacionado.

Para mim, sua chuva não serve pra nada.

 

 

 

 



Escrito por Rosa Kapila às 13h36
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