ATÉ QUE TENHO SORTE COM MINHA VAGINA: ELA NÃO ME COME “O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia.” (Anais Nin) Para Marleide Lins de Albuquerque Compus uma ladainha de números um texto literário tem que viver em liberdade. Às vezes eu sinto vontade de desprezar os livros eu me filmo andando. qual gravador aguentaria meu ouvido? tenho fantasias que há fotos nas cidades com cartazes "Procura-se". Feia no retrato as pessoas com spray desenham bocas horríveis, fazem cruzes, orelhas são acrescentadas e bigodes meu retrato falado é um monstro. Não estou informada do que existe entre o Céu e a Terra, pois só vejo coisas avulsas. Saí armada com um molho de chaves. Havia dezenas de tampas de esgoto, abertas. Com a mania de sacolejar chaves deixei que as minhas /caíssem na Companhia da Manutenção de Limpeza. Observei que as tampas de esgoto se repetiam. Em pequeno quadrado /da Avenida Passos contei mais de cem tampas. Apenas as manequins sorriam para o cão por dentro do mato (os bueiros). Fiquei sentada na escada de mármore com globo de luz. Esperava um homem. Os mendigos lá fora se rasgavam. Ao celular: - “Quem?” -“Uma moradora sem chaves.” -“Pegue suas chaves com um casal de mãos dadas e abraçados na Praça Tiradentes.” O casal conversava sobre minha pessoa /sou muito cismada com esses sons isolados. Contei com as forças do corpo e dei uma tossidela artificial. Interpreto de modo forçado e ridículo o papel de escritora. Em outra profissão eu jamais teria esse retrato falado. Convivo na incerteza e ainda não perdi a calma. Com letra de pingo de chuva procuro minha velha casa por entre ruínas. Tenho capacidade de amar à distância e apreciar as pessoas de perto. Eu te pergunto: setembrochove? O importante é esconder a dificuldade. Parece que os sentimentos estão mortos dentro dele. Até que tenho sorte com minha vagina: ela não me come. ATÉ QUE TENHO SORTE COM MINHA VAGINA: ELA NÃO ME COME “O erotismo é uma das bases do conhecimento de nós próprios, tão indispensável como a poesia.” (Anais Nin) Para Marleide Lins de Albuquerque Compus uma ladainha de números um texto literário tem que viver em liberdade. Às vezes eu sinto vontade de desprezar os livros eu me filmo andando. qual gravador aguentaria meu ouvido? tenho fantasias que há fotos nas cidades com cartazes "Procura-se". Feia no retrato as pessoas com spray desenham bocas horríveis, fazem cruzes, orelhas são acrescentadas e bigodes meu retrato falado é um monstro. Não estou informada do que existe entre o Céu e a Terra, pois só vejo coisas avulsas. Saí armada com um molho de chaves. Havia dezenas de tampas de esgoto, abertas. Com a mania de sacolejar chaves deixei que as minhas /caíssem na Companhia da Manutenção de Limpeza. Observei que as tampas de esgoto se repetiam. Em pequeno quadrado /da Avenida Passos contei mais de cem tampas. Apenas as manequins sorriam para o cão por dentro do mato (os bueiros). Fiquei sentada na escada de mármore com globo de luz. Esperava um homem. Os mendigos lá fora se rasgavam. Ao celular: - “Quem?” -“Uma moradora sem chaves.” -“Pegue suas chaves com um casal de mãos dadas e abraçados na Praça Tiradentes.” O casal conversava sobre minha pessoa /sou muito cismada com esses sons isolados. Contei com as forças do corpo e dei uma tossidela artificial. Interpreto de modo forçado e ridículo o papel de escritora. Em outra profissão eu jamais teria esse retrato falado. Convivo na incerteza e ainda não perdi a calma. Com letra de pingo de chuva procuro minha velha casa por entre ruínas. Tenho capacidade de amar à distância e apreciar as pessoas de perto. Eu te pergunto: setembrochove? O importante é esconder a dificuldade. Parece que os sentimentos estão mortos dentro dele. Até que tenho sorte com minha vagina: ela não me come.
Escrito por Rosa Kapila às 20h42
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