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diário de ROSA KAPILA


FINAL DO CONTO:

DEPOIS TIREI AS CALÇAS E PULEI  ÀS ESCURAS PARA A CAMA DE MEU QUARTO DE "HÓPEDES".DORMI.SONHEI QUE VOAVA  SOBRE AS CINZAS DO VULCÃO CHILENO  E DESCIA NO PERU. FUI ENFIANDO UM SONHO NO OUTRO. SONHEI COM LEÕES EM PRAIAS BRANCAS DA FRANÇA ELES LOGO VIRAVAM GATINHOS.

ESCRITO NO  AEROPORTO   INTERNACIONAL  PINTO MARTINS DE FORTALEZA. MADRUGADA, 9 DE JUNHO DE 2011.



Escrito por Rosa Kapila às 10h16
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O BEIJO MAIS CARO DO MUNDO

“Te amo, beijo em tua boca a alegria”

( Pablo Neruda )

“Eu não quero ser amado por ninguém. Eu me amo. Só quero que gostem de mim. Isso basta”.

( Severino Santos ) Cito de memória essas palavras e concordo com elas.

Para  Ana Vitória, que filmou o beijo

 

 

Conheço  todos os truques do amor e não  me falta decisão. Sei que ficarei com essa  agradável recordação para o resto da vida. Ao jeito de Carlos Drummond de Andrade preciso fazer uma confissão de itabirano. De uma forma atravessada nasci em Picos e com  trinta dias de nascida meus pais pegaram um caminhão, encheram de filhos e se mandaram. Todavia, principalmente nasci em Teresina. Dessa vez em visita à minha terra me senti uma soldada cubana. Tive que virar uma sereia e ser uma pérola de encantamento.

Esse episódio  de minha vida virarão várias páginas de livros. Minha insólita presença em Teresina, não decolou. Ao mesmo tempo em que  revejo  árvores  conhecidas, fico olhando meu guru  na hora da fuga. Não fui  Sherazade,entretanto sei que terei  histórias para contar. Ele foi  embora igualzinho as cinzas vulcânicas do Chile:  mentiroso e sensual. Já dizia Torquato Neto “toda palavra guarda uma cilada”. Me pareço fadada  a  todos os  hemisférios  da conquista. Mediante  a desilusão peguei as malas que estavam no carro de um amigo e fui para o aeroporto. Fiquei com o pescoço endurecido quando a jovem atrás do balcão da   companhia  aérea disse-me: “vou lhe dar uma notícia ruim, seu voo  era pra ontem.” Sento desolada numa poltrona e penso em Roberto Carlos: “Nossa Senhora me dê a mão...”

O serviço  de bordo de minha ida foi  sinistro. Por essa perda eu não esperava. Um executivo  curitibano, na poltrona ao lado puxa conversa comigo,conto minha história, ele  me diz que isso já havia acontecido dezenas de vezes com ele. Tudo por causa de meus eventuais sintomas de amor.

A mensagem  muda tudo. Me sentia uma cosmonauta à  beira mar.Comecei a fazer promessa  para Nossa Senhora do Perpétuo  Socorro.  Meu cérebro  eletrônico procurava uma justificativa. Não havia regras de jogo  porém  encasquetei  que amaria aquele homem enganador e falso. Acho que escolhi o melhor lugar para pregar um susto  nele: uma praça abarrotada de pessoas.

 Fui dar uma volta lá fora do aeroporto. Um jovem se aproxima e me pede cigarro.

- Não, compañero, não fumo.  Só beijo. Você acreditaria  se eu te contasse que fui atrás de um  homem só para beijá-lo  e perdi o avião?

-  Não me aborreço, tenho putas.

- Mira  mon  amie soy  guerrilera! Non tengo  amores. Meu  guru  se espantou quando me viu. E lhe digo mais: eu o beijei  numa praça  com centenas de pessoas  num  show  de vários músicos e os todos os fotógrafos do evento nos fotografaram. Concomitantemente o rapaz me pede comida. Preparo uma ressalva:

- Há muito tempo que comer me aborrece.

- A senhora poderia  comer fígados de tubarões.

- Vá você  atrás  dos tubarões.

O jovem foi embora arrastando uma mala  velha com duas  rodinhas.

Volto para meu raciocínio. Nunca beijei tão bem. Meti  minha língua dentro da  boca  de meu guru e enrolei. Foram três  beijos de destroncar  o porão de um navio. Em meus devaneios vejo a imagem de meu amigo Ray, ele sempre diz:  “quando falo em navio,lembro-me de bote.Rico quando está deprimido fica deitado num bote, relaxando”.  Se eu fosse rica compraria agora uma passagem para o Japão e iria só meditar. Queria filmar tudo que acontece em minha vida e guardar  as películas. Meu amado guru  fura  como  um osso  atravessado  em minha  garganta, Deve haver um buraco no coração  daquele homem. Lembro  de uma viagem que fiz a Cuba  e vi um out-door  bem  alto com letras bonitas e esmaltadas:

“OS HOMENS  MORREM, O PARTIDO É IMORTAL”. Todo amor morre, mas o meu é imortal.

Oh! Vontade de tomar  um líquido  azul!

Oh! Vontade de  tomar absinto!

Hoje, abastecida pelo beijo  ainda choro. Me sinto um veículo  imprestável numa via pública. Penso que  um ladrão a pé  se  encontra bem mais equipado que polícia de automóvel. Com certeza carrego uma lembrança irônica. Já assisti a vários roubos e vi ladrões correndo. Nunca vi a polícia pegar nenhum. Volto para o beijo. Minhas amigas zombam de mim  e dizem:   beijo não se pede, beijo se rouba. Creio que  meu beijo foi histórico... como passear  por um museu cheio  de  teia de aranha. Ajeito  monstros em minha cabeça, todavia é preciso ter vivido nas vísceras do monstro  para conhecê-lo  bem. São quatro horas da madrugada. Já estou em outro aeroporto. Viajei por quarenta minutos para outra cidade. Lembro  Tom Hanks no filme “Terminal”. Compro na farmácia do aeroporto um sabonete neutro  e tento comprar um envelope de aspirina. A balconista falou: “aspirina não tem”.

- Por que diz que não tem se a vejo daqui...

- Precisa de receita.

- Será que vocês  não  vendem  a aspirina    porque hoje é domingo de noite?

- Quem sabe se você deve tomar  aspirina é o médico.

- E eu vou achar um médico  aonde?

A  velha  se  enfezou e adentrou  pela farmácia. Sumiu na poeira do vento.

Tudo é puro, Ítalo Calvino: “se uma noite de inverno um viajante”.



Escrito por Rosa Kapila às 10h04
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Passei três dias vagando pelo  aeroporto. Muito calor. Esperava com ansiedade a noite chegar para me estender numa poltrona-cama  do aeroporto. Queria pelo menos entender minha  forma de viajar. Comecei  a sentir a  tentação de me abandonar.

Comi alguns biscoitos amassados que encontrei em minha bolsa. Durmo sem sonhos. Pela manhã  vou tomar um sol. Um urubu rodeia  o tempo todo minha mochila jogada no chão e um cachorro abre um olho. Me molhei com os chuviscos repentinos  e me enxuguei com um cobertor espacial. Parecia que havia  uma laje em minha cabeça. Logo vejo uma placa “DESAPARECEIDA”. Três   dias em um aeroporto!

Um homem bochechudo, molhado e esmolambado me dá bom dia.

- Dia!

Vou ao banheiro, ponho um vestido e uma tal de calça legging. Fecho os olhos  e vejo um castelo cheio de rosas   amarelas.  Entretanto a fumaça flutuante dos pulmões  de um jovem me amarelou.

-  Maldito cigarro!

Com uma tampinha de refrigerante tiro cara e coroa e me pergunto aonde devo ir. Queria   agora ouvir histórias sobre casas  e pombos-correio. Minhas pernas  me ensinam o caminho  para um jardim de rosas. Enterro meu rosto no macio tecido do meu cobertor quadrado. Levanto as vistas e vejo uma  casa  com gramado  imenso   verde, balanços e escorregadores.



Escrito por Rosa Kapila às 09h59
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- Esta poderia ser minha casa.

- Casa! Suspiro!

Mais uma pessoa me pede cigarro. Eu não fumo, eu quero ir pra casa, porra!

Em torno do aeroporto  vejo  ao longe barracos  abandonados, tomados pelas plantas e pela a grama. Chorei e fiz birra, igual um  bebê mimado. Eu vou sair  daqui... Liguei agora a chave de meu cérebro. Joguei a mochila nas costas e fui ao balcão internacional. Mudei  minha rota.

-. Deixa eu olhar no sitema. Senhorita, tem vôo   para  Buenos Aires  nas próximas horas.

 

“MALDITO COMPUTADOR”!

Ela coloca uma unha na  boca e clica o mouse com a outra mão.

- Daqui a uma hora tem um  avião para Buenos Aires. Há vagas. A senhora  vai pagar à vista? Ou com cartão?



Escrito por Rosa Kapila às 09h58
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-  Maldito cigarro!

Com uma tampinha de refrigerante tiro cara e coroa e me pergunto aonde devo ir. Queria   agora ouvir histórias sobre casas  e pombos-correio. Minhas pernas  me ensinam o caminho  para um jardim de rosas. Enterro meu rosto no macio tecido do meu cobertor quadrado. Levanto as vistas e vejo uma  casa  com gramado  imenso   verde, balanços e escorregadores.

- Esta poderia ser minha casa.

- Casa! Suspiro!

Mais uma pessoa me pede cigarro. Eu não fumo, eu quero ir pra casa, porra!

Em torno do aeroporto  vejo  ao longe barracos  abandonados, tomados pelas plantas e pela a grama. Chorei e fiz birra, igual um  bebê mimado. Eu vou sair  daqui... Liguei agora a chave de meu cérebro. Joguei a mochila nas costas e fui ao balcão internacional. Mudei  minha rota.

-. Deixa eu olhar no sitema. Senhorita, tem vôo   para  Buenos Aires  nas próximas horas.

 

“MALDITO COMPUTADOR”!

Ela coloca uma unha na  boca e clica o mouse com a outra mão.

- Daqui a uma hora tem um  avião para Buenos Aires. Há vagas. A senhora  vai pagar à vista? Ou com cartão?

- Pago com Money,o vil metal, la plata...



Escrito por Rosa Kapila às 09h55
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- Pago com Money,o vil metal, la plata...

- Senhora, não perca tempo  jogando   energia fora, gastando seu fôlego e nem conversando consigo  mesma.

-  Por que me diz isso?

- A senhora  está resfolegando, parece que seu coração vai sair voando pela boca.

- Eu demonstro está assim? Ela fingiu não ouvir.

O clique de um isqueiro ao meu lado soa estranho e repentino no silêncio que  tento praticar. Me vendo muda Mayara sorri (li a plaquinha no peito dela).

- É dinheiro...então   vamos  ali no outro balcão. Prontinho, boa viagem!

- Obrigada, me desculpe pelos suspiros! Aquela passagem em minhas mãos era o mapa do tesouro. Esperei com o dedo na boca. Escutava  conversas de todos os níveis. Fui logo desligando meu celular. Minha espinha ainda tremia como água  agitada pela brisa. “Até que enfim  irei  para um lugar amado”.



Escrito por Rosa Kapila às 09h52
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Tive o insight porque em Buenos Aires tenho pessoas muito queridas. Eu poderia escolher a casa para ficar. Tenho sobrinhos, primos e primas e a princesinha assessora  de Meirinha, minha prima, a  tão querida Raimunda da Costa Carvalho. Ainda no avião escolhi a casa de Raimundinha, uma  pessoa de ouro. Eu suspiro e bocejo, olhando o  céu escuro, forte. O cigarro de um homem  pendurado em sua boca  cai exatamente em minhas roupas. Dou um pulo.

- Está apagado, é que eu vou  viajar cheirando ele. Penteei meus  cabelos para trás com os dedos. Depois eu olho  e o cigarro dele está atrás da orelha.

“Porra, o homem se inclina e bate um pouco em minha cabeça”. Saio de perto dele de fininho

Abro  a bolsa e remexo em minhas pílulas. Tomo uma pílula verde com amarelo, outra azul e branco. E mordo a metade da terceira, branca. “Viu querida, você cuida de você”. Devo seguir o conselho de Mayara. Quando  sentei na poltrona do avião, bodei. Só acordei em Buenos Aires. Raimundinha me abriu a porta com um belo sorriso. Ela me pergunta:

- E as cinzas vulcânicas do Chile  não atingiram   seu avião?

- Atingiram mas eu estava bodada. Não dei bola  para o que o comandante falou.

- Quer  tomar café, almoçar, jantar ou merendar?

- Quero suco de melão, pão integral,  queijo gorgonzola, três  bananas, aveia e um copázio de café.

Raimunda tinha tudo. Pedi exatamente  o  que não falta na geladeira dela.

Depois tomei banho, fui para meu quarto de hóspedes. Tirei as calças e fui para a cama às



Escrito por Rosa Kapila às 09h51
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