PARA MEU LIVRO DE PREFÁCIOS LIVRO: ÍNDIO NEON DE EDU PLANCHÊZ “O REI ESTÁ NU” Nos anos 80 era moda, no Rio de Janeiro, a palavra ³performance´ e ³recitais de poemas´. O inquieto Eduardo Planchêz subia aos palcos, de pijama, e recitava a noite inteira, muitas vezes até sem roupa. Com muita influência dos Beats e também de Jim Morrison, Edu foi preparando seu travesseiro de poemas. Naqueles anos 80 ele estava muito ligado ao esoterismo e às cartas do tarô. Passeou pelo Santo Daime, desbundou de vez e, parece que nos anos 90, depois de tantas bordoadas, passa por uma calmaria. Edu Planchêz foi a única pessoa que conheci que saía de casa vestido e voltava sem roupas e descalço, às vezes dava tudo de esmola. Se a poesia de Edu não revolucionou o mundo, pelo menos suas fadas, bruxas, dragões e anjos do sol revolucionaram ³sua turma´ e sua família. Para os íntimos, Antônio e ovelha loura¶. Talvez a sorte do poeta Edu Planchêz tenha sido lançada muito cedo, talvez em outras vidas. É muita sorte ser poeta uma vida inteira. ROSA KAPILA
Escrito por Rosa Kapila às 13h37
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MEU AMADO FADO “Gosto do cheiro de gasolina/Gosto também de naftalina/ Gosto do gosto da sua boca. Do seu cigarro.” ( Música: Naftalina do grupo Ira!) Letristas: César Maurício/Gerson Barral e Ronaldo Gino Ao Nasi, que adora naftalina. Se eu tivesse uma audição colorida leria melhor o poeta vidente. Em meu ouvido direito moram: sonoridade da mosca, cachoeiras, /colmeias, apitos de trens, ecos das vogais de Rimbaud banhados no abelheiro /de meu corpo. O sangue cuspido da gengiva adormece minha horta, tenho um frissom /céu e pensamento se encontram. Tudo isso seria um processo alucinatório? Órfãos costumam construir castelos apontados verticalmente /para um poço. Choro por amores não duráveis. Próxima estação, sem nexo. Melhor perambular pelo mundo artificial. p.s. eu amo o cheiro de naftalina.
Escrito por Rosa Kapila às 15h31
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