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diário de ROSA KAPILA


SALGUEI O SANGUE DA CARNE

“Eu acredito no prazer da carne e na solidão irremediável da alma.”

Hjalmar  Soderberg

Para meu amigo Paulo Lucena ( joia rara)

 

 

Meu chapéu carrega frutas

Deus disse que sabia mas não  me tirou dessa.

A suavidade da pera compete com a  goiaba.

Quero  colorir as frutas querido leitor “lê-me, para aprender

/a amar-me”

Tudo é medido pelo tédio?

O cachorro “Nescau” uivava pra mim e dei-lhe um bico de pão.

Eu me comunico com o teu perfume de bebê.

Bem  aqui perto eu tenho um oceano de uma cidade imunda.

E tudo que não presta  sempre tem muita sede.

Contemplo sinal vermelho...ouvido zumbizado capta

/”pega a formiga, enche a barriga  com serragem, depois costura

/a boquinha  de cada uma”.

Suspendo o poema  enquanto os  objetos bóiam.

A infanta chora jasmins caídos.

Salguei  o sangue da carne

E, depois comi a maçã  verde de Magrite.



Escrito por Rosa Kapila às 14h56
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