MORANDO NO VAGO "Suave é viver só" (Fernando Pessoa – In: Ficções do Interlúdio) Para meu amado Rubens Eduardo Ferreira Frias me consolo ao pensar em tua face serena tenho memória em minhas mãos em asas tudo é pensamento nos relâmpagos volúteis assim faço minha vida: uma flor cortada ao meio nasceu nascido o calo na voz consulto a barata que samba no consultório se aguentarei uma anestesia na língua caros leitores, não se preocupem aguentei a anestesia e vomitei por quinze bêbados por quatro dias minha língua tinha gosto de isopor e gorda como uma pomba. somos apenas um cisco, diz Edna acho que sou uma poeira que moro no Vago enquanto tiver os brilhos do sol, parecerei grande. nada me atinge até o amor é apenas uma sombra. eu queria mesmo ter uma boca vermelha de vinho para ir ao rio das coisas. sigo minha antiga vida.
Escrito por Rosa Kapila às 20h12
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O TEMPO DA NOITE "A noite acendeu as estrelas porque tinha medo da própria escuridão." (Mario Quintana) Para meu querido sobrinho Pedro Ben Todos os homens deveriam esperar que eu minta. Não preciso de mensageiros para meus fracassos Velha amiga vai escrevendo que eu vou dormindo Venha assim mesmo: até como se fosse inimiga Mandarei pintar uma caneca com teu nome para os cafés /que apronto. No dia em que a noite desaparecer eu vou me divertir Teve um tempo em que eu morria todas as noites Faço RPG olhando para um esqueleto Eu choro porque meu amigo não ama minha amiga Eles seriam belos correndo na chuva. Acho ele um filho da putíssima e lhe jogaria uma /nuvem de pedras. Eu o colocaria num navio que parte para longe. Ele quer uma luz melhor que a do sol. Eu me mexo, faço coisas, deixo rastros e meu coração /cortado, colo com polar. Minha amiga não chia mas em taças detalhadas /o veneno está contido Peço a ela que ame outro sol que este. Sem ilusão A vida.
Escrito por Rosa Kapila às 23h06
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