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diário de ROSA KAPILA


                                                                         ATRAVESSAR O CÉU  TODO

                                                    “Por que Deus não fala comigo? Se Ele pelo menos tossisse”

                                                     ( Woody Allen )

Para minha avó Emily – pérola dos países gelados

 

Que noite horrível...

Já pela manhã, bem na hora em que a lua voltava pro céu,

/tenho a sensação  de estar  caindo; parece que meu sangue coalha nos pés...

Estou sozinha em casa e, meu ser flutua, mas há um empuxo

/ na cama que cola meu corpo no estrado.

Vejo passos em minha direção; quero largar as coisas. E por que não posso?

Toda noite, as verdades do dia acabam.

E pensam que tenho nervos de aço.

Não quero  ter pesadelos para reiniciar meus novos livros.

Tenho pendor pelas coisas erradas, entretanto queria ter um cachorro

/para abraçar e gostaria de começar uma espantosa aventura; pensar

/mais em irrealidades.

Só me  sinto feliz porque adoro o que não presta.

Poderia até planejar  uma perseguição amorosa.

Queria uma amizade  agitada com  cauda  de serpente

/e  fígado amargo.

Três vezes já  velei eu mesma (...) me  olhava no caixão

/e conversava com alguns amigos, sorrindo. Eu estava rindo

/de minha morte. Só nessa hora sou duas, mas tenho muita preguiça

/para morrer.

O sol tem suas razões e o dia suas agruras.

Peço ajuda ao destino, fruthos negociáveis e pães cruzinhos.

Dobro um papel que é um céu desenhado por mim

/mas o pensamento não cola

Tudo é falso, mesmo com a cola polar da infância.

O que me dará o dia de hoje?

 

É tudo tipo futebol: olho no relógio e mão no coração – uma pintura.

Talvez eu seja ignorada pela noite e ela, de malvada me deixa a ver navios.

Tento fazer minhas costuras, não concentro. Olho as Torres do Casarão

Do Visconde  do olho seco e um pouquinho mais longe o castelo dos bombeiros.

Uma alma chega perto de mim e procura conversar

/não lhe faço festa como desejaria.

Não  costuro

Não recebo ninguém cortesmente.

Só sei amassar pedra.

Meu corpo, de carne e osso dorme longe.

Alguém me conta um segredo que me abisma.

Procurar amor, cansa.

Ter amor, cansa muito mais.

Gosto de esquecimentos e se eu fosse Fernando P., descansaria de nada.

Quantos estratagemas inventei (...)

Quero que o meu tédio me beije de vez.

 

 

 

 

                                                      

 

 



Escrito por Rosa Kapila às 15h33
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POEMA DE RUBENS EDUARDO FERREIRA  FRIAS

Rosa dos tempos

 

 

Tudo converge

num ponto único

distantes do A

longe do Ômega

 

Momentos passados

apenas falácias.

Borges reinventa a vida

em secretos milagres

labirintos da memória

 

Sempre sobre o pó

indestrutível, enamorado

Em novas nuvens mutáveis

jogos infinitos renascem

no mistério de todas as Galáxias

 

Aqui estou: só e repleto

de tuas pétalas, estrelas

incandescentes, suaves,

minhas manhãs e meus lençóis

 

 

Rubens Eduardo

 



Escrito por Rosa Kapila às 20h00
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