UM OLHAR EM BLUE "Em meu ofício ou arte taciturna (...)escrevo essas páginas de espuma (...) que enlaçam as dores do século, Que não me pagam nem me elogiam E ignoram meu ofício e minha arte." ( Dylan Thomas ) Para meu amigo Dai Hawkins ( o famoso David do País de Gales ) Tenho como posse uma cabra, duas jobuticabeiras e 4 panelas. Naquele tempo, a fome estava sempre por perto. Quase perdi uma irmã de um abscesso E eu tive um tumor furado e implodido. Há alguns dias visitei minha avó em Londres. Ela estava com um vestido cinza-chumbo / e um chapéu de padrão cor-de-rosa. Minha vó sempre progrediu para a perfeição. Fomos comprar painço e um vaso pedestal. "Todo dia é dia de compras". Ela me fala, agora, encapotada e dando bengaladas nas pedras. E eu pensando em minha atormentação de Teresina. Low, meu namorado daqui me tasca um olhar em blue. Minhas coxas ardem em minhas /calças de piquê. O que sou em mim não me é suficiente. Lá vem minha psicologia de bolso. Sinto um desconforto súbito. Que tormento interminável é este meu? A angústia psicológica chegou. Deus, o criador dos anjos e dos sapos foi me esperar no aeroporto... e mesmo /assim questionei a boa vontade do Criador. Minha Língua, Meu Tesouro, não se relaciona bem com todos que me olham. O meu dedão vira um olho. Adão, apesar de machista nunca teve o domínio da Terra. A Terra é para o desfrute de todos. Minha hiperatividade foi para o vinagre. Eu parecia uma lesma mouca, febril e surtada. Não faço questão da etiqueta inglesa. A estranha melancolia, essa doença misteriosa dos habitantes-morcegos /de meus contos, palpita sobre meu destino. Sofro com meu imponderável. O tédio faz-se incansável senhor de mim. Não quero saber de inveja e nem de igualdade. Por onde anda minha profissão que não me ajuda? O desgosto da vida me agarra. A loucura é mal vista em qualquer lugar do mundo. Sonhei a vida inteira com uma tranquilidade mental. Sinto vontade de pronunciar "aquiescência", palavra bonita que só vendo. Degrata-te alma até o fim do mundo! Observo tudo de perto mas trupico e rasgo a nesga de minha calça. Minha vó vem com essa: "escrevestes hoje?" Me traí dizendo que não. Finjo um contentamento superficial. Igual uma jogadora eu chuto. Queria ser uma hipopótoma dentro de um rio; para mostrar apenas /minhas orelhas e narinas. Minha vó não gosta de falar,ela solta uma frase para você refletir... Uma filósofa com suas frases para pensarmos um ano. Na rua Market saí à socapa. Chegou a hipertensão ocasional e fui tomar /meu comprimido (agonista) revestido de amarelo,oblongo e sulcado. Coloquei aquela mão nas costas procurando dor. Dei aquela olhadinha /para o céu lançando agradecimento pela recepção do Criador ao aeroporto.
Escrito por Rosa Kapila às 15h47
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