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diário de ROSA KAPILA


MOLHANDO O CAFÉ  II

“Sou uma leitora  obcecada. Sempre

que leio um livro tenho   ideias  que adapto

à minha vida”. (Rosa Kapila)

 

 

Salguei alguns livros  para afastá-los

/das formigas... no decorrer de  três meses,

/estavam molhados.

Agora, o sal insosso  deixou os livros  desminliguidos.

Mesmo assim, com o resultado  caustrofóbico

/vou me arrastando até  a fotografia  de Deus, antes de

/salgá-la.

As traças não foram embora.Tampouco as formigas.

E nem as lagartixas.

Apenas os ratos odiaram o sal grosso.

Eu, ossuda, sem firmeza  nos pés obnublados

/acompanho  o vôo   do  pássaro  cauteloso,

/no galho de um pé de graviola.

Estas cenas estão  na peça  que  o   

/teatraliza.

Faço a vez da atriz com quem ele contracenará.

Deixo os pássaros fugirem floresta  adentro.

Para  desfazer o mal entendido  ponho um gorro

/branco que um dia  foi de meu filho  Ícaro

/e escancho no cabo  de vassoura...estou num cavalo

/que trota...

  pede  para que  eu requebre...

Acabo   a cena  sufocada. Há anos  não faço teatro!

“Estou  é  quebrada”

Na casa  desse  meu amigo  até  os  gatos

/são pintados

e  tudo  que chega ali  vira peça de teatro.

No final do texto,  dançamos  ao som de

“Molhando o café”

Na verdade, molhados estavam os livros

Soltos os passarinhos

E as tanajuras passeando

Entre  as lagartixas ariscas.

Rimos muito... até porque  essa música

/é muito estranha...

 

 



Escrito por Rosa Kapila às 14h33
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