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diário de ROSA KAPILA


RUA  DA CARIOCA

“Calo-me, espero, decifro.

As coisas talvez melhorem.

São tão fortes as coisas!”

( Carlos Drummond  de Andrade)

In poema: Nosso Tempo, do livro

“A Rosa  do Povo”

 

 

As majestades  viveram aqui onde a natureza

/já ficou velha  e a morte  morre muito mais.

As  princesas, agora belas defuntas

/cavalgaram  charretes e entre sombreiros

/farfalharam saias.

Antes,  Rua do Piolho e após, do Egito.

Animou  os dias de Machado  jogando bola.

Ele   foi criança e um dia usou calção.

Um quarteirão  apenas  para balançar bolsas.

Eu fujo

Tu foges

Dos ventos  da Carioca.

Eu amo

Tu   amas

E fervem os corações anônimos.

Vem, que a noite corre atrás de nós.

Aqui, namorados se enlaçam, se entrelaçam

/ e se dispensam.

Eu também já sofri  de amor cariocando  entre

/vendavais  e trovoadas.

Chorei  chuva e me atolei no cruzamento

/da Paraguai  com a  bifurcação  da  Rua do Verde  de flores

/banhadas.

Livros/louças/bancos/correios e o Rei das Facas

/tem parede de oitão com as malas, malinhas, maletinhas,

/malão.

As árvores  que se abraçam  me abraçam  enquanto

/estou amuada esperando o ônibus em frente  ao Pilão

/de Pedra.

Elevo o  olhar  para o Monte Castelo

/e o  Convento  de Santo Antonio.

Lá vem a noite brigando com a noite.

Uma velha manca  virando  a noite na janela

/do sobrado  pita um cigarro de macumba.

Apenas um quarteirão e cabe  A Guitarra de Prata/ O   Bar

/do Luiz/ O Cine Íris/ O Boteco  Sinfonia Carioca/ O Cine

Ideal  que Rui Barbosa  abençoou/ O Pilão de Pedra que

/ um  dia foi “Zicartola.”

E o primeiro Restaurante Vegetariano do Rio de Janeiro –

/paraíso dos naturebas.

Molambos  entopem bueiros e quantos olhos morreram

/só ao te olhar.

Carioca, eu já caí na curva de tua lona!

 

 



Escrito por Rosa Kapila às 00h45
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 PLACA

“Nunca permiti que a escola

Interferisse na minha educação”

 ( Mark  Twain )

 

 

 

ESCREVO PARA  ESBAGAÇAR

AS MINHAS TRIPAS.

É  ESTA A ALQUIMIA DE MEU VERBO.

 



Escrito por Rosa Kapila às 00h04
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