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diário de ROSA KAPILA


DE  QUEM  É  ESTA  SOMBRA? SERÁ MINHA?

“Nenhum pensamento mora de graça na cabeça de

ninguém -  todos eles  são investimentos ou custos.”

( Robert  G. Allen )

 

 

Em um bolso do capote um sonho de Cortázar, amassado.

No outro duas maçãs meio cozidas. E  no terceiro bolso,

/um maracujá  esmaltado e cintilante.

Atravesso a Uruguaiana vigiando o andar do bêbado

/que discursa.

Ele se parece  com Malcom  X. Este também era desconfiado

/que nem eu. São dele as palavras: “Conheço todos os filósofos

/e não respeito nenhum.”

Malcom  X, um homem de segredos.

Um homem de paixão.

Hermano  Malcom, é inevitável  perder de vez em quando...

O que te atraía no deserto das almas brancas?

Daqueles fugitivos que se tornaram “brancos” numa nova vida?

Numa nova biografia?

Eu também fui pega pelo número  de destinos...

Sigo andando... já na Ouvidor, tive a epifania: o pé de unha-de-gato

/do tamanho de meu pai  e o cajazeiro  que quase trupicava no céu.

Gosto de sebereba  de cajá vêm-me à  boca

/com açucar... muito açucar  branco!

Como era doce o meu açucar!

Agora  é gotinha de stévia  que deixa o meu café 

/com  sabor “remediado”

Muito desgostosa  coloquei em meu Twitter  que

/eu tinha morrido.

Não   teve repercussão nenhuma. Pra vocês verem

/como sou desconhecida!

Eu  choro na bula  de meu remédio  que é um  lençol

/de grandeza.

Tem gente que diz: não leio esse troço que tu escreve.

O maior  segredo do mundo: a inveja.

Pra você invejoso ( a ), vá procurar uma roupa  pra

/lavar...

ou  então vá arder  no inferno que você mesmo criou.

Tomara  que ele  continue nessa maratona sem fim

/até  chegar ao arco-íris.

Eu ainda  vou sacudir  minha capa vermelha

/nos cornos daquele argos.

Pediram-me  para perdoar e orar por  meu pior

/inimigo, morto há pouco tempo.

Eu respondi:  Belzebu já está orando por ele.

 

 

 

 

 



Escrito por Rosa Kapila às 01h58
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UM MAR DE SAL GROSSO

“Arte é qualquer coisa que se possa empurrar”

( Marshall  Mcluhan )

Poema de Rosa Kapila & Ícaro  Planchêz

 

 

Colei  a carne morta de meu dedo  e

Acabei  dando fim aos saltos  das sandálias

/com  meu serrote novo.

Ninguém me domina 

/nem tu, oh  corpo meu estranho!

Onde encontrarei um refúgio para fugir dessa

/consumição?

Encontrei  colo  na casca-veludo-de-pêssego.

Eu os  comi sujos de poeira, pois  o sumo de fruta

/é o  molde  que me acalma os nervos.

Lembro-me  de um poeta que  parafusou

/o mar  e o concebeu de areia  grossa.

Venha alimentar minha carcaça, eu  sou  Cornólio

/ diz o personagem na TV.

Um chá de velame me faria bem agora.

Por isso te guio, pernas e olhos tortos.

  uns homens    embaixo, com seus músculos

/que não valem nada.

Eu agora sou  que nem meu amigo  SKY

/só vou  ao mundo  virtual  porque no mundo real

/ não  há mais  vida.

Espante-te  essas palavras?

Pois  é

Eu assino embaixo  com “MARES”

Que em Latim é Maria,

/lembrando de Mamãe

E  todos  os seus  Santos.

 

P.S.  o poeta que parafusou o  mar  foi

Gerard  Manley  Hopkins

 

 

 



Escrito por Rosa Kapila às 13h03
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Quero agradecer  a todos  os meus leitores que estiveram na Bienal do Livro no Rio de Janeiro

para o lançamento de  minha obra "Quando Mamãe  Souber". Foi um dia muito feliz em minha vida.

beijos

 



Escrito por Rosa Kapila às 18h20
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POÇA-PEDRA

“Oitenta por cento do sucesso está em aparecer”

(Woody Allen)

 

Aonde irei sem delirar pelo medo

/de que agora, aqui seja o lar dos ratos?

Lamento!

Deus sabe como as duras palavras

Boca-malvada

Boca-ferina

Boca-de-pedra...são terminais.

Eu queria um rochedo-santo para meditar.

Eu queria folhas verdinhas e pencas de banana.

Mas não...durmo ao pé da árvore e espanto

/uns urubus que fazem fila

uns urubus ignorantes! Que não entendem

/uma caneta tintando!

Como tenho saudades daquela garrafa de vidro

/verde de leite e outras saudades...

/enfim que não valem a pena enumerar.

 



Escrito por Rosa Kapila às 18h15
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A SOLIDÃO DOS ESCONDIDOS

“Um dia escreverei  música  para as pessoas

rezarem”

(Brian Wilson)

 

A confusa desordem  das ruas e dos jornais

Me calam.

Vejo que os gatos se escondem de mim

/enquanto  agoniada, construo  meus silêncios

/que estão chegando...

um pássaro arreda  para eu passar.

Trago  na bolsa  sementes  para  muitos pássaros

/que vivem  a solidão dos escondidos.

Larguei  num buraco rotundo

/aquele gostinho de inferno que  tive

/em 26 de maio  desse corrente ano.

Minha mão está  em movimento...

Sinto-me como uma maratonista

Correndo atrás do universo e isto ilumina

/um dilema.

O mundo está cheio de palavras que  choram

/para serem ditas.

Contudo têm coisas que  não posso negociar

/comigo mesma.

Por esta razão  vou ter que pegar dinheiro

/e palavras  no meu cofre de guerra.

Essa introspecção  mórbida e dúbia

/faz efeito.

Os outros perigos  serão  indicados

/brevemente.

Adianto que cortei o pé  de urtiga.



Escrito por Rosa Kapila às 00h00
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