UMA GALERIA DE MAMÍFERAS “As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez; mas já se tornara impossível distinguir quem era homem, quem era porco.” (Final do livro: “A Revolução dos Bichos” de George Orwell) Detesto essas mamíferas galinhas! Detesto esse entorno onde todas elas redemoinham Rotundas Volto até minha caneca de café e espano a cristaleira. Essas putas velhas usam adereços ignóbeis; / colares de malfeitores de Nairóbi e Latim Vulgar. São umas velhas que roubaram minha noite. Elas sondam até a água de uma bilha A bengaladas tange a um cachorro de rua, a primeira. Elas me atraíram para bons ventos que não vieram E deram sorte porque não soltei a onça que reside dentro de mim. São as galinhas da cidade tomada. Pensei que essas galináceas viveriam bem na sala do inferno. Eu as tranquei e joguei a chave num bueiro do / Morro do Cabritinho.
Escrito por Rosa Kapila às 12h37
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ARRANCANDO AS ASAS DE MEU ANJO “Jamais as profecias comunicam mensagens agradáveis aos mortais” ( In: Oréstia, de Ésquilo ) Escrevi numa letra degenerada Num verdadeiro périplo o receituário da /angústia e pesquisas sobre o teórico da decepção. Como um peixe em seu mar faço a recolha. A desesperança deve servir para alguma finalidade /criadora. Bobagem... Mas tenho curiosidade de ver algumas pessoas /se alimentar... Retorço as mãos como raízes e penso que o inferno /deve ser bem mais agradável do que essa sensação. Deixei uma vírgula, pendurada, de propósito. Carreguei meu anjo para a pátria espiritual de Kafka. Lá, eu arranquei suas asas.
Escrito por Rosa Kapila às 12h21
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