diário de ROSA KAPILA


13/07/2009


UMA  GALERIA DE MAMÍFERAS

“As criaturas de fora olhavam de um porco  para um

homem, de um homem para um porco e de um porco

para um homem outra vez; mas já se tornara impossível

distinguir quem era homem, quem era porco.”

(Final do livro: “A Revolução dos Bichos”  de George Orwell)

 

Detesto essas  mamíferas  galinhas!

Detesto esse entorno onde todas  elas  redemoinham

Rotundas

Volto até minha  caneca de café  e espano a cristaleira.

Essas  putas velhas  usam   adereços  ignóbeis;

/ colares de malfeitores de  Nairóbi  e Latim Vulgar.

São   umas velhas que roubaram minha noite.

Elas sondam até a água de uma bilha

A bengaladas tange a um  cachorro de rua, a primeira.

Elas me atraíram para bons ventos que não vieram

E deram sorte porque  não soltei a onça  que reside dentro de mim.

São as galinhas da cidade tomada.

Pensei   que  essas galináceas viveriam bem na sala do inferno.

Eu as tranquei  e joguei a chave num bueiro do

/ Morro do  Cabritinho.

 

Escrito por Rosa Kapila às 12h37
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12/07/2009


ARRANCANDO AS ASAS DE MEU ANJO

“Jamais as profecias comunicam mensagens

agradáveis aos  mortais”

( In: Oréstia, de Ésquilo )

 

 

Escrevi numa letra degenerada

Num verdadeiro périplo o receituário da

/angústia  e pesquisas sobre o teórico da decepção.

Como um peixe em seu mar  faço a recolha.

A desesperança deve servir para alguma finalidade

/criadora.

Bobagem...

Mas tenho curiosidade de ver algumas pessoas

/se alimentar...

Retorço as mãos como raízes e penso que o inferno

/deve ser bem mais agradável do que essa sensação.

Deixei uma vírgula, pendurada, de propósito.

Carreguei  meu anjo para  a pátria  espiritual  de Kafka.

Lá, eu  arranquei suas asas.

Escrito por Rosa Kapila às 12h21
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