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diário de ROSA KAPILA


A POESIA  NÃO TEVE UM ÚNICO SANTO

“Se há um inferno, eu encontrei-o, pois se não

está aqui, onde Diabo estará?”

(Fernando Pessoa)

 

 

Meu pensamento trágico descia  pelo meu pé.

- Se você desistisse e entregasse os pontos, Rosa

Maria e deixasse de escrever!

Não quero desvendar  esse “lugar antes.”

Quando foi  que meu estilo literário tornou-se

/um comportamento?

A depressão, esse monstro  da tarde, sempre aparece.

A noite, finalmente, chega-se a mim.

Olhei  para o rosto oval, sem malícia.

Mas, parece, ele pisa  tudo quanto ler.

E tal qual Santa Teresa D’Ávila emanei

/chispas de Amor.

Preferi  comungar com Gary Snyder: “paz, guerra,

/religião, revolução, amor, não servem para nada.”

Sou um eu  inútil para muita gente.

Dores ou prazeres, infernos, dão  no mesmo.

Trêmula, fiquei acariciando o estado de Buda

/e delirando por uma perfeita iluminação.

Tive inveja de meu amigo Blanchot quando na rua

/escura ele olha pra cima  e diz:

- Nasci ali.

Sei  que não posso olhar pra cima duma janela

/ e dizer nasci ali... porque nem sei direito dizer

onde nasci.

- Ei! – grita meu amigo – que cara é essa?

Jamais eu vou querer que ele adivinhe  meu

/pensamento trágico descido pelo pé... preferi

/sair com essa: “Nunca  que na poesia alguém vai virar

/santo.”

- Pra que serve ser santo? Ou santa?

Não respondi, me sentia como uma Diaba

/dos  infernos.

No fim da ladeira, eu gotejo.

Eu sou chuva.

 



Escrito por Rosa Kapila às 19h34
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JOANA  DARC  TAMBÉM  OUVIA VOZES

“Até  os peixes não têm  mais sossego na

casinha  deles” (Rosa Kapila )

Para minha  amiga Katia  Castro  pelo seu aniversário

Pra você, uma torta de maçã  e um soneto, irmã!

 

 

Eu tinha medo daquele  jardim

Um pé  de flor num sapato de courão  antiguinho rachado.

Gastura   me dava, cada dia  mais tensa  e aflições  novas

/chegando.

Olhava a senhora adubando  a sua horta.

Eu tremo

Tu tremes

Ela treme.

Como testemunhas  eu  e as abelhas ébrias

/sussurrantes.

Aquele  pé de  flor  no sapato  encharcado de adubo

Me  lembrava  Edgar Allan Poe  com seus contos

/de emparedamento.

Um dia a senhora  me disse: “eu ouço vozes e minhas

/ervas eu colho dos sapatos.”

Eu sorri  e disse ok vizinha  depois eu pego  uns pés

/de orégano.

“Tem pé de melhoral,  também.”

Desci a ladeira  bolada: Joana Darc  também ouvia vozes.

Normalmente eu fico à janela  até  a hora em que

/a velha senhora delira.

 



Escrito por Rosa Kapila às 00h59
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