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diário de ROSA KAPILA


O TEMPO, ESSE FORNO DE ASSAR ROSTO!

“As pessoas podem preencher o vazio com o que

quiserem  imaginar”

( Steve Jobs )

 

Meus melhores dias já raiaram.

Aquele papo  não me convence mais  e nem

/as horas em círculos  a girar.

Vagueio de corredor  em corredor nesse meu prédio

/e da cobertura  vejo os pobres  miserando lá embaixo.

A massa a passar em paletós e capotes de inverno

/anunciam suas lutas.

Eu, testemunha  como um anjo à  espreita

Divago

Oscilo

Meneio.

Desço do prédio infrene no asfalto.

E, escutando um burburinho vou até  a Riachuelo

Fazer um hemograma.



Escrito por Rosa Kapila às 18h02
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BOILEAU-DESPRÉAUX: UM POETA IRRITADO

“Noites para dormir e dias para o ócio”

(Nicolas Boileau-Despréaux – 1636 -1711 )

 

 

Às vezes caminha-se pelo  inferno com Dante.

O poema nos informa como chegou em tal buraco!

E como a gente se ferra.

Meu relógio me espera  e minha lâmpada  me ouve

/enquanto leio  Henri Barbusse.

Ainda hoje, de manhã, trupiquei nos gatos de Baudelaire

/miando pro sol.

Uma moça magra, com um bolsão e um cintão

/pisa numa barata em fuga.

Enquanto o sol desperta  a rosa, figuras me assustam

/nos jornais.

A lua já  se escondeu  do sol há muito tempo

/mas eu torço para que a noite volte logo, para que

/eu me conserve  em paz  sob o teto  que me ilumina

/e saia dessa rua em tumulto.

Um clarão me avisa que vem chuva.

Meu amigo da banca me fala  dos jornais: “só violência

/e sexo.”

E aquele caso: (...) “assim seja a tragédia, assim marche

/e se explique.”

P.S. o verso entre aspas é o final do poema “Da tragédia”

De Boileau  Despréaux.

 

 



Escrito por Rosa Kapila às 23h33
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