CAMÕES, UMA ESTRELA INFELIZ “Triste cidade! Eu temo que me avives uma paixão defunta!” (Cesário Verde ) Eu não sou cheiro que se flor E aqui está Camões me trazendo cheiros De uma paixão defunta, no seu Lusíadas /de”FERO AMOR” sobre Inês de Castro. Eu, uma contemporânea que pertenço ao cotidiano /de muita gente...frequentando a mesma praia, indo /ao supermercado ou ao cinema... tenho a mesma sensação de Cesário Verde em carta ao amigo Antonio de Macedo Papança “Uma poesia minha, publicada numa folha bem impressa, /comemorativa de Camões, não obteve um olhar, um sorriso, /um desdém, uma observação! Ninguém escreveu, ninguém /falou, nem um noticiário, nem uma conversa comigo, ninguém /disse bem, ninguém disse mal! (...) literalmente parece que Cesário Verde não existe”. Eu, que tento fazer as pessoas pensarem sobre o mundo e a vida! Vi o teu rosto desenhando num navio. Ainda carrego em minha boca o cheiro do teu poema /redivivo. Tanto adiei minha poesia para outro século Que hoje ela me deixou na mão, a ver navios!
Escrito por Rosa Kapila às 20h31
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A CALMARIA DO RIO PÓ “Ao contrário da prosa, a escrita em versos é uma surpresa a partir de uma ideia que vem de outra parte” ( Gary Snyder ) Não me peçam pra ir embora... / pois meu corpo / é um rascunho que está sendo melhorado por isso tento encontrar respostas incomuns de associações longínquas. Dizem que o branco é também cor de gótico. Enquanto passeio nas alturas tento não vomitar No negro No branco No colorido arco-íris Nascido numa lagoa mas que poderia /ter vindo de céus de Itália do Rio Pó Rio famoso de nascedouro de Línguas Portuguesas De faíscas de Vesúvio e de lascas de Etna. Até segunda ordem não mexam em meus papéis De branco De preto De rosa.
Escrito por Rosa Kapila às 18h54
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SOMOS PÓS HUMANOS? “Eu não faço nada. Minha obra mais bela é o emprego de meu tempo.” ( Marcel Duchamp ) Ouço o canto do mar /com medo que ele me beije e eu suma. Hoje, à meia-noite eu marquei com aquela voz /uma voz que haveria de nascer no dia em que eu findasse /algumas letras e arrancasse aquele papel da parede. Meus grandes e pequenos ossos se entroncham /quando eu começo a cortar alface pro almoço. Meu abajur de gato já não mais admira a face contra a sombra. Comprei uma chave de grifo /e fiz associações com os grifados verbos defectivos /que já não se estudam mais. Aquele bigode do professor Olímpio difundia /respeito do Português de banco de areia de madeira de ferro Eu deixava o sol ir embora e baldeava na bacia. Lembro disso quando ouço o canto do mar.
Escrito por Rosa Kapila às 14h22
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