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diário de ROSA KAPILA


LIMA  À  MEIA-NOITE

“Os livros têm o valor  de consolação

para seus autores”

( Inês  Pedrosa )

 

 

Agripina Pomar e nossa viagem ao Peru...

Caminhávamos pelas feiras improvisadas

E sentávamos à beira de rios... ficávamos horas

Vendo peixinhos mortos.

- Que foi? Uma vez perguntei.

- Uma recordação dos infernos!

Os pensamentos toscos chegam... guardo ainda

Minha bolsa amarela de poeira... atopetada  de santinhos.

Nos apaixonamos por nosso guia de viagem...tiramos

Cara ou coroa com umas latas vazias.

Agripina  ganhou o índio e o levou para países nórdicos

Aos  quinze dias com o novo amor descobriu-o

Lambendo  portões enferrujados e chupando  fósforos.

Pobre índio com aquela locomotiva a desabençoar-lhe.

Deporta o jovem  para sua visão do paraíso.

Hoje  Agripina  tem  uma linda  menina Pilar, filha de

/inglês...”mas com  a cara  redonda de sol do peruano”.

Agripina  lua nova cheia  de todos os anoiteceres  do mundo...

Amarela flor de Portugal... com os cigarros amarrados à sua

Literatura de versos ligeiros como a velocidade da sombra

Correndo  para preparar frases diabólicas.

Amiga,  estou na carreira  falando lendo devorando almas

Ocupada como o quê!

Mas nada de  melancolia  nem arrependimentos

Mesmo  pelo  estranho passado!

Seremos sempre fortes como a forja da faca:

- fogo

- água  e

- pancada

Também  somos  um caco entre vários cacos de barro...

Tudo  é uma questão de  “sangre”

Buscai  ao Senhor enquanto se pode  achar.

 

 

 

 

                   



Escrito por Rosa Kapila às 15h11
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UMA PERNA PERDIDA  DENTRO DO GESSO

“Eu não faço nada. Minha obra mais bela é o

emprego de meu tempo.”

( Marcel Duchamp)

 

 

Nunca me enganei  a respeito  de sofrimentos

E, naveguei em desastres  corriqueiros

/de gente chegando

/de gente saindo

Foi aqui que quebraram a fechadura

E com a casa  arrebentada... fui morar com minha avó

Preguei um soneto na porta

“QUE  SOCIEDADE  DE PORRADA É  ESSA?”

“QUE  NAU  DE INSENSATO PASSOU AQUI?”

Arrasada   não sei  o que fazer lá fora...

Perigos aumentam  a cada volta na fechadura

Penso que os anjos  sempre   me guardaram.

Flor com arnica  para passar  a  dor

Repousando  na delícia de uma sílaba encolhida.

Chama o bombeiro! Alguém diz.

Não precisa.

A luz do dia  me consola

“No silêncio entre  dois pensamentos.”



Escrito por Rosa Kapila às 22h43
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