A PRECARIEDADE DA SORTE HUMANA “estranho livro aquele que escreveste, artista da saudade e do sofrer! Estranho livro aquele em que puseste tudo o que eu sinto, sem poder dizer” (Florbela Espanca) Toda a carne que tenho distribuída testa /abaixo, dói. E, ainda dizem que forte sou. Eu ando, eu corro, eu penso em aparar aquela luva /perdida por um astronauta, no interplanetário. Eu invento “a lógica dos possíveis narrativos” em lixo /espacial. O que me salva são os poetas de antigamente, /que me fazem companhia. Avalio encantadores frutos e mistérios de pessoas /escondendo seus sabores. Penso nos grãos de areia que juntei numa latinha /de marrom glacê para recompensas dar-me /em formas irreais. Imagino treinar feituras de sonetos, saltos ornamentais /em cachoeiras, fluxos de energia no Himalaia. Penso muito na precariedade da sorte humana. Lembro-me de um cajueiro velho de Pindamonhagaba. Gosto de relembrar-me da casa do tio Bob de Pinda /e nos moranguinhos que colhíamos pela estrada.
Escrito por Rosa Kapila às 21h25
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