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diário de ROSA KAPILA


POEMA ANOITEADO

“Quando eu crescer, vou morar

/num monte de quartos grandes”

( Greta Garbo)

 

 

Daqui de casa quando escrevo

/meus poemas anoiteados

/ sinto o cheiro do mar depois dos prédios

E  fico  com saudades de algumas

/ conversas impossíveis.

Eu tenho que dormir

Mas estou tomada pelo medo dos mosquitos.

A  dor nas costas é a pedra no sapato.

Uma talhada de melancia

/ me tiraria  dessa noite à toa

/ e uma moranga com camarão

/ seriam o que estou  procurando agora.

Mas  acho numa ruma de livros

“Sermão do Fogo” de Gautama

E continuo  procurando o mundo

/ de onde vem a poesia

/ essa proteína  complexa

/ que me vitamina.

Quero um poema expresso

/ quente pegando fogo

/ quero o templo de  Shiva

/ dos  cosmos de Walt  Whitman.

Quero   as Massas  de Charles

Movendo-se

Movendo-se

Movendo-se

 

 

 

 



Escrito por Rosa Kapila às 13h12
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A OBRA VIVE DE SUA VIDA

“En la  lucha de clases/ todas las  armas

/ son buenas/ piedras/ noches/poemas”

( Paulo Leminski )

 

 

Minha rede invisível me balança

/ e meu poema-surdo, envelhece.

Meu  coração está quebrado

/ como  o mármore do açúcar que acoberta

/ o bolo... por onde formigas felizes  sobem e descem.

Cheiro  a noite igual  Jean-Baptiste Grenouille de

“O Perfume”.

Mas  são minhas mãos que enxergam tudo...

E lá  vou eu...cansada de meus irmãos Karamazov.

Minha doença me deixa intoxicada em minha própria

/ dor.

Meu ouvido pensante me diz: eu gosto de doença

/ mas não gosto de remédio.

 



Escrito por Rosa Kapila às 21h03
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DENTRO DO CORPO DO POEMA DE HART CRANE

“ O tempo existe e devora”

(Caio Fernando Abreu )

 

 

O mar luta muito para ser livre

/ brigando com pedras  e  areia

/mesmo assim os surfistas lhes abraça.

E. E. Cummings “olha” o lugar onde nunca

/esteve  e bebe seu vinho com cereja

/voltando de um navio do México.

Bem naquele lugar onde o poeta Hart Crane se jogou

/ e nunca foi encontrado.

É  bom lembrarmos  a ambição  da poesia

/ de Hart Crane

/ que também brigou para ser livre.

Como  uma paisagem de folhas oblíquas

/sua poesia geme e divide o céu

/confinado às páginas de um livro.



Escrito por Rosa Kapila às 15h13
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