SYLVIA PLATH
“Essa morte era minha”
(Anne Sexton)
Debaixo da árvore tipo um ser humano de nervos expostos
Li o último poema de Sylvia Plath
Encaracolada em seu feto morto.
Sylvia mata, retalha e bebe o sangue de alguns vivos.
Tanto prodígio... Tanto nada.
A morte preparada em calda de maçã.
Preparada nas vértebras de Ted
Preparada em montanha de ovo gôro
Preparada na inveja e calúnia de Anne Sexton
Preparada nas impurezas de sua mãe
Preparada na mortalha de um anjo
Preparada em recheio folhudo empaçocado de agulhas
Preparada para ironizar o vento
Preparada para quebrar todos os manequins em seus casacos de pele.
Essa flor desacordada e perdida ondeia uma lua morta
Que fotografa o osso roído pelo cão de Sylvia Plath
Enquanto ela recita Chaucer às vacas.
Olho para meu telefone preto, aquele que não tem voz.