MORDER O AR
“Um homem deve engolir um sapo toda manhã se
quiser ter certeza de não encontrar nada mais
repugnante antes de o dia terminar.”
( Chamfort )
Os estudiosos das células solares dizem
Que na coroa do astro-rei há um monte de enigmas.
O Sol não é um estranho que passa, é um pai que fica.
É como aquele SUSTENTO que nos aparece do nada.
Torção e tensão
O ganho inesperado das marteladas do isolamento
Recolher os indícios que nos levam ao monte de enigmas
Morder o ar.
Encher os pulmões de cheiros.
Ir atrás de nossa turma.
Na natureza o remédio adequado é a persistência.
Um sábio anseio
Uma lembrança dá sustento.
Cinco minutos de contemplação em águas calmas.
A persistência faz com que corramos com a perna quebrada.
Como uma loba
Isso não é algo que se faça
É algo que se é
Vicejar
Ser uma mulher de: Daomé/ dos Camarões/ da Nova Guiné/
Da Letônia/ dos Países Baixos/ da Serra Leoa/ da Guatemala/
Do Haiti/ da Polinésia/ de Tippicanoe...
Digam o nome de um país/ de uma raça/ de uma religião/
De uma tribo/ de uma cidade/ de uma aldeia/ de um solitário
Posto fronteiriço...
Tatear
Sempre.
Escrito por Rosa Kapila às 14h08
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UM JARDIM DE PÊSSEGOS
“As três coisas que o iniciante contemplativo
deve praticar: ler, pensar e rezar.”
(in livro: The Cloud of Unknowing - A Nuvem do
desconhecimento )
autor: Monge inglês anônimo na segunda metade
do século XIV
A vida criativa é o alimento e a água para a alma.
É um saco de sementes e um jardim de pêssegos amarelos-sol.
As tormentas da poética têm recursos espantosos
E às vezes vivem muito tempo, sem nenhum alimento.
Vaguear até onde não se pode é tirar o leite na casa do carneiro.
O melhor remédio para a infertilidade da escrita, é escrever.
Meu Deus nunca me prenda no gelo
Porque nesse dia eu terei o beijo frio da morte.
Porque nesse dia não nascerá mais de mim uma palavra.
Devo apanhar logo a caneta e parar de resmungar.
Peço ao meu corpo que se mexa como uma bailarina
Tranco-me num quarto ou caminho sob os céus
Exerço minha arte
Vou em frente
Dedico todas as minhas forças a respirar bem.
Esperar e agüentar.
Escrito por Rosa Kapila às 15h10
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