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diário de ROSA KAPILA


 

 

OI,  SOU  SÓ EU

“São as obsessões do autor que escolhem

o gênero “

( Manuel Vazquez  Montalban )

 

 

Sou uma folha inocente me diz

Um  anão  numa rua escura do sonho.

Eu respondo  que o perigo está  por perto.

Mergulhe e não tenha  medo  de adormecer.

Meu coração é todo  apegadinho a mim.

As  lágrimas atraem tudo

Até o pedaço que sobra.

Lá vem

Aquele   alguém   que entoei  seu nome

Não  sei eliminar  o que não quero mais.

Suportando   inúmeros finais

O amor volta

Comprimidos ciclos

Viram remédios diários

O mal-estar

É a   solução dos contrários

Águas  partidas

Lá vem a solução

Dos  que não  sabem

Te  empresto meu coração

Tome!  Se  é isso  o  problema...

Sangrar  sem morrer,   é bom!

Eu recordo como  é difícil lembrar.

 



Escrito por Rosa Kapila às 15h05
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VERDES  OVOS DE RÃS

“A poesia é a linguagem em estado de crise”

( Mallarmé )

Para  Nadia Possaty, uma de minhas gurus

 

 

Eu sou uma rosa de carne

E  tomo emprestada a imaginação  de meus poetas...

Vou lamber  meus  dois limões  chineses de hoje

Para azedar-me  bem em energia.

São essas coisinhas  reveladas que formam

Uma imensa touca espiritual.

Como eu gosto daquela tênue linha entre sonho

E dia

Vou sonhando

Vou condensando

Eu e  Nadia  Possaty

Daqui a pouco vamos dar uma  cafungada

No pescoço  do  mar.

Sonhei que cansei...

Eu faria  uma fritada com ovos de  rãs...

Mas eles estavam verdes

E eu os punha  para amadurecer.

Estávamos  na cozinha... Nadia  puxando a saia

De uma parte pudenda.

Quero uma poesia   de forma usável

Porque a idéia de minha poesia  é radicalizar

Num faz de conta  de tristeza eterna

E   de muita amargura

Tudo isso  forma  onda de teorias

Quero dizer que

A rebelde está viva

Por isso  eu escrevo  sobre sonho

Sobre sinfonias  de reconstrução

Sobre um minuto da fúria da Natureza

De vidas partidas ao meio

De pessoas que já nascem sobreviventes.

Hoje é um  escuro dia,  perfeito para

Uma espera do Luar.

A sina da rosa-carne é ser transitória

Como o beija-flor.

 

 

 



Escrito por Rosa Kapila às 14h17
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