INFRENE AO VENTO
“Não me confino mais às curvas da cozinha,
pois há muito saí da casca dos tomates. E me cortei sozinha.”
( Suzana Kfouri Vargas)
“Mas todo caminhante foge de si
De olhos luminosos que fixem anúncios de última hora.”
(Maurício Salles Vasconcelos)
Foi-se o tempo em que eu queria dormir no peito
De alguém dentro de um táxi, sonolenta de viagem.
Será que o amor azedou?
Dá susto compreender de súbito que o tempo passa
Saio para passear, sozinha, disposta a sentar-me no
Café do Cinema Odeon
Um café grosso, maquinado, pós-moderno
Que não havia antigamente me é servido
Com uma hóstia da cor da roupa de São Francisco de Assis
E canela amarga...
Sorrio
Vem a epifania de Suzana e Maurício
(...) Saíamos da UFRJ, Av: Chile
e ficávamos ali no Amarelinho comendo frango à passarinho
Às vezes, Chico Buarque tomava um chope numa mesa ao lado
Eu ria, dizendo: ainda seremos três grandes poetas desse país!!!!!
Anos lindos de 1979.
Agora estou aqui, sentada num banco de madeira
Mirando a mesa em que o triunvirato sentava.
Parece um sonho!
Ou como diria Maurício: “coisas dos possíveis narrativos”
Ou outras vidas!
Hoje, fico contemplativa!
Raciocino
Não há mais a rosa agônica de 79
Trinta anos nessa noite!
Tantas portas fechadas eu restaurei
Que restaurar as câmaras de minha memória
Servem para abafar zumbidos
Sonolentos
Hoje eu sou apenas
Uma flor em fuga.
Escrito por Rosa Kapila às 14h33
[]
[envie esta mensagem]
[link]
A JANELA ABERTA DE UM SONHO
“Tudo é vento “
( Padre Antonio Vieira )
TUDO É TÃO ANTIGO
EM MINHA MEMÓRIA
COMO UM LIVRO DE PÁGINAS AMARELAS
PELO TEMPO.
“A MULHER DOS OSSOS NO DESERTO”
E O BARBA AZUL
SÃO CICATRIZES-PORTAS
PARA MEU CORAÇÃO PALPITANTE.
LÁ VEM MEU FORTIFICANTE!
ENQUANTO ESTIVER AQUI NA TERRA
FICA SENDO A MISSÃO DAS HISTÓRIAS
PARA MIM.
FUI RESSUSCITADA ENQUANTO
ESPALHAVA FARELOS PELA CAMA.
TANTO QUE EU QUIS ME DEDICAR AOS OSSOS!
MAS EU SEI O QUE DAR CERTO
PRA MINH’ALMA.
AMARRAR UM VAGALUME
NO DEDINHO
OU CAMINHAR
COM VENDAS NOS PÉS?
O CANTINHO DOS OLHOS É QUE DIZ
O BOSQUE SECULAR
DEBAIXO DE MINHA CASA,
OUVE MEU SUSSURRO.
POR ISSO INCUBO OSSOS
PARA CRIAR ARTE.
EU, QUE COMECEI TUDO
NUM DESERTO
AGORA ATRAVESSO A JANELA
ABERTA DE UM SOL.
Escrito por Rosa Kapila às 18h10
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|