diário de ROSA KAPILA


22/11/2009


MOLHANDO O CAFÉ  II

“Sou uma leitora  obcecada. Sempre

que leio um livro tenho   ideias  que adapto

à minha vida”. (Rosa Kapila)

 

 

Salguei alguns livros  para afastá-los

/das formigas... no decorrer de  três meses,

/estavam molhados.

Agora, o sal insosso  deixou os livros  desminliguidos.

Mesmo assim, com o resultado  caustrofóbico

/vou me arrastando até  a fotografia  de Deus, antes de

/salgá-la.

As traças não foram embora.Tampouco as formigas.

E nem as lagartixas.

Apenas os ratos odiaram o sal grosso.

Eu, ossuda, sem firmeza  nos pés obnublados

/acompanho  o vôo   do  pássaro  cauteloso,

/no galho de um pé de graviola.

Estas cenas estão  na peça  que  o   

/teatraliza.

Faço a vez da atriz com quem ele contracenará.

Deixo os pássaros fugirem floresta  adentro.

Para  desfazer o mal entendido  ponho um gorro

/branco que um dia  foi de meu filho  Ícaro

/e escancho no cabo  de vassoura...estou num cavalo

/que trota...

  pede  para que  eu requebre...

Acabo   a cena  sufocada. Há anos  não faço teatro!

“Estou  é  quebrada”

Na casa  desse  meu amigo  até  os  gatos

/são pintados

e  tudo  que chega ali  vira peça de teatro.

No final do texto,  dançamos  ao som de

“Molhando o café”

Na verdade, molhados estavam os livros

Soltos os passarinhos

E as tanajuras passeando

Entre  as lagartixas ariscas.

Rimos muito... até porque  essa música

/é muito estranha...

 

 

Escrito por Rosa Kapila às 14h33
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12/11/2009


PROCURO ESSE QUE TRAZ MEU CORAÇÃO  COM ELE

“Há cordas no coração que melhor seria não fazê-las vibrar”

( Charles Dickens )

Para: Maria Aldenires de Sousa  Lima

 

Procuro você que traz  meu coração com ele

/para dizer  que vi quando a onda beijou  o pé grande

/do efebo... nem Pégaso nem Perseu quiseram

/meu marido ser.

No  firmamento de sol ardido

Bato  contra o céu  o olho; com minhas  asas, escrava-anjo-nua,

/peço para terem cuidado  com a  minha  letra miúda

e digo para as estrelas  escondidas  que procuro esse

/que traz meu coração com ele para dizer-lhe

/que tenho uma casa  feliz, de ninho  voador e um urubu

/da floresta vizinha que me dá bom-dia: só às  vezes.

Procuro você, que traz  meu coração com ele

/concordando que me repito  só para me ver;

/mas tem dia que desvio-me de mim. E sei,  pois  alguém

/já me disse que ar tenho de degenerada.

Fecho o livro sobre estrelas e penso em meu  amor

/que domina meu ar de altivez.

Um grande amigo me pergunta: quando  poderei

/aproveitar  a experiência alheia em  meu próprio

/benefício?

Não respondo, pois procuro você  que traz  meu  coração

/com ele  e sinto meu  pensamento  se entrelaçando

/no seu e a chorar lágrimas de céu  morto e  vermelho

/de fogo; vejo no subúrbio os andarilhos e comboieiros

/que mamãe  seguiu.

Divago

Divagas

Devagar; pois continuo  procurando você  que traz

/meu coração com ele  e teço encantos  em olhos cor

/de sangue  para usufruir de boca   que embriaga

/suspiros de amor/olhos/sombra/noturnos febris.

Nesse exato momento tenho inveja  dos pássaros  que voejam

/ em minha  janela; as asas sacudidas  escondem de

/mim um pedaço de céu azul.

Escrito por Rosa Kapila às 22h01
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Sou grata a eles  que me trazem alegria e ideias novas.

Eles   me escutam também; aqui onde sou uma forte

/exilada e designer  de penhascos  solitários.

Procuro você que traz meu  coração com ele

/para dizer   que  coloquei  em bolsa  o meu passado bem

/amado  e dou  pra algumas águias  que viajam pelo  mundo

/afora  um travor  de  meus antigos  dramas; aqueles

/ódios  que cobri   com os lençóis.

Oh alma amada, será que a essas horas  estás voando?

Ele me diria  eu sei, cada  livro  é um   combate

/e certeza  tenho que és  capaz  de mudar a noite

/só  para inventar  nomes  e rasgar.

Firmo e assino, alguns pensam constantemente  que engolem

/o teu mundo; todavia quando todos  dormem  a viração

/se dá  nos benditos  sustos: cobra, lagartos, plantas

/carnívoras.

A Rosa dá  o espinho que tem.

  pra teu anjo da guarda... lindo que nem tua sorte.

Flor do céu

Flor da  terra

Quando estava  sonhando com Deus, me acordaram

/para continuar procurando você que traz

/meu coração com ele.

 

 

 

 

Escrito por Rosa Kapila às 21h56
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29/10/2009


RUA  DA CARIOCA

“Calo-me, espero, decifro.

As coisas talvez melhorem.

São tão fortes as coisas!”

( Carlos Drummond  de Andrade)

In poema: Nosso Tempo, do livro

“A Rosa  do Povo”

 

 

As majestades  viveram aqui onde a natureza

/já ficou velha  e a morte  morre muito mais.

As  princesas, agora belas defuntas

/cavalgaram  charretes e entre sombreiros

/farfalharam saias.

Antes,  Rua do Piolho e após, do Egito.

Animou  os dias de Machado  jogando bola.

Ele   foi criança e um dia usou calção.

Um quarteirão  apenas  para balançar bolsas.

Eu fujo

Tu foges

Dos ventos  da Carioca.

Eu amo

Tu   amas

E fervem os corações anônimos.

Vem, que a noite corre atrás de nós.

Aqui, namorados se enlaçam, se entrelaçam

/ e se dispensam.

Eu também já sofri  de amor cariocando  entre

/vendavais  e trovoadas.

Chorei  chuva e me atolei no cruzamento

/da Paraguai  com a  bifurcação  da  Rua do Verde  de flores

/banhadas.

Livros/louças/bancos/correios e o Rei das Facas

/tem parede de oitão com as malas, malinhas, maletinhas,

/malão.

As árvores  que se abraçam  me abraçam  enquanto

/estou amuada esperando o ônibus em frente  ao Pilão

/de Pedra.

Elevo o  olhar  para o Monte Castelo

/e o  Convento  de Santo Antonio.

Lá vem a noite brigando com a noite.

Uma velha manca  virando  a noite na janela

/do sobrado  pita um cigarro de macumba.

Apenas um quarteirão e cabe  A Guitarra de Prata/ O   Bar

/do Luiz/ O Cine Íris/ O Boteco  Sinfonia Carioca/ O Cine

Ideal  que Rui Barbosa  abençoou/ O Pilão de Pedra que

/ um  dia foi “Zicartola.”

E o primeiro Restaurante Vegetariano do Rio de Janeiro –

/paraíso dos naturebas.

Molambos  entopem bueiros e quantos olhos morreram

/só ao te olhar.

Carioca, eu já caí na curva de tua lona!

 

 

Escrito por Rosa Kapila às 00h45
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25/10/2009


 PLACA

“Nunca permiti que a escola

Interferisse na minha educação”

 ( Mark  Twain )

 

 

 

ESCREVO PARA  ESBAGAÇAR

AS MINHAS TRIPAS.

É  ESTA A ALQUIMIA DE MEU VERBO.

 

Escrito por Rosa Kapila às 00h04
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24/10/2009


                                                                                  

Escrito por Rosa Kapila às 21h51
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18/10/2009


 

“MOLHANDO O CAFÉ I”

“Prazer maior que possuir  uma biblioteca

é cavaquear sobre livros.”

(Charles Nodier )

 

Meu amigo Zé  não vai à  praia. Vai ao bar.

Enquanto   como arroz branco com

/um montinho de ovos

/dou aquele grito mágico  para   que

/o Zé   salve a Mãe-Terra e pense em sua salvação.

Ele  faz o teatro: oh! Mundo/ ou  Aurora!

“Me lembra querida  que Cristo

/está me esperando!”

Gaiolas  penduradas em sua  casa

/me levam  para cidades  onde o acalanto

/ é gravado por pássaros de  plumas  vermelhas

É a nova peça do Zé.

Escrito por Rosa Kapila às 13h11
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04/10/2009


TWITTER 1 -   rosakapila   -  Blanchot - lembra da cena do filme? "Se essa lupa fosse perfeita dava p ver Deus no paraíso!" bjs www.rosakapila.zip.netrosakapila

Escrito por Rosa Kapila às 20h29
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rosakapila2

  1. A coruja das torres sou eu. www.rosakapila.zip.net www.vozesderosakapila.blogs...
  2. Meu filho Ícaro, eu dedico o ar que eu respiro a você. www.rosakapila.zip.net
  3. na foto sou eu e meu filho Ícaro quando era um niño
  4. www.rosakapila.zip.net www.vozesderosakapila.blosp... orkut: Rosa Kapila google: Rosa Kapila
  5. Estou tomando um remédio que a bula parece um lençol. Haja las gafas.
  

Escrito por Rosa Kapila às 19h26
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A PEDRA  NÃO SE MEXE, MAS  O GERÂNIO  A COMPREENDE

“Os poemas  são ensinados como se o poeta  tivesse guardado uma chave

/secreta em suas  palavras e  fosse trabalho do leitor encontrá-la.”

( Natalie  Goldberg )

DEDICO ESTE POEMA A NATALIE GOLDBERG

 

 

A  senha era um desenho na árvore: um caramujo com duas casas nas costas.

Havia  às vezes uma ponte que cortava o mar ao meio.

O significado, perdemos de vista.

Os desenhos se foram

Os caramujos também

As  nuvens de aves  de arribação norteiam

/o fim de nosso caso.

Que  importa agora esse relativo mal

/que só as hipérboles decifram bem.

Há cem anos  um relâmpago passou por aqui

/ e foi comido pela árvore caramujada.

As visões

Os bisões

Os sons

Os clarões anunciados pelas chuvas de canivete

/mostram que  a vida não é facilitada.

Sentir as culpas do corpo e mudar de senha

E mudar de criatura.

O bife frio brilha num prato de madeira.

E Átila, o Rei dos Hunos visita Laura de Petrarca.

É quando o  paraíso está se abrindo que Beatriz

/aprende alguma coisa.

 

 

 

Escrito por Rosa Kapila às 13h03
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03/10/2009


DE  QUEM  É  ESTA  SOMBRA? SERÁ MINHA?

“Nenhum pensamento mora de graça na cabeça de

ninguém -  todos eles  são investimentos ou custos.”

( Robert  G. Allen )

 

 

Em um bolso do capote um sonho de Cortázar, amassado.

No outro duas maçãs meio cozidas. E  no terceiro bolso,

/um maracujá  esmaltado e cintilante.

Atravesso a Uruguaiana vigiando o andar do bêbado

/que discursa.

Ele se parece  com Malcom  X. Este também era desconfiado

/que nem eu. São dele as palavras: “Conheço todos os filósofos

/e não respeito nenhum.”

Malcom  X, um homem de segredos.

Um homem de paixão.

Hermano  Malcom, é inevitável  perder de vez em quando...

O que te atraía no deserto das almas brancas?

Daqueles fugitivos que se tornaram “brancos” numa nova vida?

Numa nova biografia?

Eu também fui pega pelo número  de destinos...

Sigo andando... já na Ouvidor, tive a epifania: o pé de unha-de-gato

/do tamanho de meu pai  e o cajazeiro  que quase trupicava no céu.

Gosto de sebereba  de cajá vêm-me à  boca

/com açucar... muito açucar  branco!

Como era doce o meu açucar!

Agora  é gotinha de stévia  que deixa o meu café 

/com  sabor “remediado”

Muito desgostosa  coloquei em meu Twitter  que

/eu tinha morrido.

Não   teve repercussão nenhuma. Pra vocês verem

/como sou desconhecida!

Eu  choro na bula  de meu remédio  que é um  lençol

/de grandeza.

Tem gente que diz: não leio esse troço que tu escreve.

O maior  segredo do mundo: a inveja.

Pra você invejoso ( a ), vá procurar uma roupa  pra

/lavar...

ou  então vá arder  no inferno que você mesmo criou.

Tomara  que ele  continue nessa maratona sem fim

/até  chegar ao arco-íris.

Eu ainda  vou sacudir  minha capa vermelha

/nos cornos daquele argos.

Pediram-me  para perdoar e orar por  meu pior

/inimigo, morto há pouco tempo.

Eu respondi:  Belzebu já está orando por ele.

 

 

 

 

 

Escrito por Rosa Kapila às 01h58
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02/10/2009


UM MAR DE SAL GROSSO

“Arte é qualquer coisa que se possa empurrar”

( Marshall  Mcluhan )

Poema de Rosa Kapila & Ícaro  Planchêz

 

 

Colei  a carne morta de meu dedo  e

Acabei  dando fim aos saltos  das sandálias

/com  meu serrote novo.

Ninguém me domina 

/nem tu, oh  corpo meu estranho!

Onde encontrarei um refúgio para fugir dessa

/consumição?

Encontrei  colo  na casca-veludo-de-pêssego.

Eu os  comi sujos de poeira, pois  o sumo de fruta

/é o  molde  que me acalma os nervos.

Lembro-me  de um poeta que  parafusou

/o mar  e o concebeu de areia  grossa.

Venha alimentar minha carcaça, eu  sou  Cornólio

/ diz o personagem na TV.

Um chá de velame me faria bem agora.

Por isso te guio, pernas e olhos tortos.

  uns homens    embaixo, com seus músculos

/que não valem nada.

Eu agora sou  que nem meu amigo  SKY

/só vou  ao mundo  virtual  porque no mundo real

/ não  há mais  vida.

Espante-te  essas palavras?

Pois  é

Eu assino embaixo  com “MARES”

Que em Latim é Maria,

/lembrando de Mamãe

E  todos  os seus  Santos.

 

P.S.  o poeta que parafusou o  mar  foi

Gerard  Manley  Hopkins

 

 

 

Escrito por Rosa Kapila às 13h03
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30/09/2009


Quero agradecer  a todos  os meus leitores que estiveram na Bienal do Livro no Rio de Janeiro

para o lançamento de  minha obra "Quando Mamãe  Souber". Foi um dia muito feliz em minha vida.

beijos

 

Escrito por Rosa Kapila às 18h20
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POÇA-PEDRA

“Oitenta por cento do sucesso está em aparecer”

(Woody Allen)

 

Aonde irei sem delirar pelo medo

/de que agora, aqui seja o lar dos ratos?

Lamento!

Deus sabe como as duras palavras

Boca-malvada

Boca-ferina

Boca-de-pedra...são terminais.

Eu queria um rochedo-santo para meditar.

Eu queria folhas verdinhas e pencas de banana.

Mas não...durmo ao pé da árvore e espanto

/uns urubus que fazem fila

uns urubus ignorantes! Que não entendem

/uma caneta tintando!

Como tenho saudades daquela garrafa de vidro

/verde de leite e outras saudades...

/enfim que não valem a pena enumerar.

 

Escrito por Rosa Kapila às 18h15
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28/09/2009


A SOLIDÃO DOS ESCONDIDOS

“Um dia escreverei  música  para as pessoas

rezarem”

(Brian Wilson)

 

A confusa desordem  das ruas e dos jornais

Me calam.

Vejo que os gatos se escondem de mim

/enquanto  agoniada, construo  meus silêncios

/que estão chegando...

um pássaro arreda  para eu passar.

Trago  na bolsa  sementes  para  muitos pássaros

/que vivem  a solidão dos escondidos.

Larguei  num buraco rotundo

/aquele gostinho de inferno que  tive

/em 26 de maio  desse corrente ano.

Minha mão está  em movimento...

Sinto-me como uma maratonista

Correndo atrás do universo e isto ilumina

/um dilema.

O mundo está cheio de palavras que  choram

/para serem ditas.

Contudo têm coisas que  não posso negociar

/comigo mesma.

Por esta razão  vou ter que pegar dinheiro

/e palavras  no meu cofre de guerra.

Essa introspecção  mórbida e dúbia

/faz efeito.

Os outros perigos  serão  indicados

/brevemente.

Adianto que cortei o pé  de urtiga.

Escrito por Rosa Kapila às 00h00
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